ARROZ COM FEIJÃO E CAFÉ COM PÃO – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

ARROZ COM FEIJÃO E CAFÉ COM PÃO

_ “Majestade, o povo não tem pão!
_ Ora, pois que comam brioches!”
Esse diálogo atribuído à rainha Maria Antonieta (1755-93) mostrou, para zombaria mundial e até à atualidade, o quanto a rainha da França desconhecia os problemas do povo francês.

Se pensarmos na época, no entanto, os franceses comiam brioches com regularidade com a qual comemos hoje o pão. Nada mais justo que substituir o que não se tem pelo que se pode ter. Ela talvez, não entendeu a metáfora que o ministro usou.para dizer que o povo não tinha nada com que se alimentar.
O alimento casual e suas substituições é motivo de estudo por vários especialistas e hoje, na medicina usamos fórmulas para nutrir um paciente mesmo ele não podendo usar o seu trato gastroenterológico. Viu-se que não se pode deixar um doente sem alimentos por mais de vinte e quatro horas – como.se pensava há poucos anos quando se dizia que o paciente hidratado com soro glicosado poderia ficar até dez dias sem nenhum nutriente. Isso em se tratando de dieta e pacientes internados.
Mas e a alimentação normal de todo dia? O que aconteceu com o velho e bom fogão a lenha das nossas avós? Faz mal o uso da lenha pela fumaça provocada, mas a comida era simples e perfeita.
Hoje temos fogões industriais, a gás, elétricos, fornos de microondas e fornos elétricos. Temos panelas das mais variadas formas e materiais em substituição das antigas panelas de pedra, barro, ferro e aço fundido. Existem panelas que o alimento não agarra e panelas que fritam sem gordura. Enfim, a tecnologia avança.
Mas e a comida?
O prato do brasileiro é arroz, feijão, angu, couve e ovo frito – de vez em quando uma carne de boi, frango ou porco. O peixe é mais comum no dia-a-dia nas cidades do litoral pelo preço mais alto no interior.
Mas, na atualidade, tudo está errado e tudo é proibido. Começou-se a falar em dieta e nutrição saudável. Proibiu-se o carboidrato. Declarou-se guerra às gorduras e à falta dela. Hoje é errado comer ovo, ontem era obrigatório comer ovo, amanhã será imposta uma dieta só de ovos. Um estudo inglês mostraria que chá é bom e um estudo africano diria que é ruim.
O adolescente que não se alimenta direito – não lhe foi ensinado como comer na infância – entra para uma academia de musculação e passa, no primeiro dia sem saber se vai realmente permanecer nesse esporte, em uma loja de suplementos e compra proteína, etc, etc, etc e continua comendo mal achando que o sucesso está nos potinhos da moda. Diga-se de passagem, todos os suplementos têm sua indicação correta e são pesquisas bem feitas para uso bem indicado.
O brasileiro acorda e toma café com pão e manteiga. De vez em quando toma café com leite, de vez em quando mortadela, queijos ou presunto.

Tá errado! Tem que comer uma mirabolância cara e muitas vezes sem gosto porque o pãozinho – ele nem sabe o que é brioche – está proibido por lei! O leite que todo mundo sempre tomou hoje faz mal. A manteiga algumas vezes ganha espaço no lugar da margarina, em outras perde feio e em muitas são ambas escorraçadas da mesa.
O que fazer? Seguir a moda e comer um monte de coisas que não têm sabor ou das quais não se gosta? Pedir para a vovó reencarnar e ensinar novamente o povo a cozinhar?
Não sei! Eu como o que eu gosto e sempre será desse jeito até que eu tenha as doenças específicas da minha idade – que me conduzirão para a minha morte – e tenha que cortar isso ou aquilo.
Por que todo esse desabafo?
Eu vi no jornal da televisão hoje uma repórter falando a respeito do aumento exagerado do preço da carne. Ela procurou uma nutricionista para saber o que fazer com a falta da carne vermelha. A resposta bem intencionada da profissional foi mostrar em termos de nutrientes, o que poderia substituir a carne e ela disse” – “Feijão.” E discorreu sobre o uso do feijão na dieta mandando usar o preto em um dia, o carioquinha no outro e o vermelho ou sei lá qual o outro.
Pensei, se o prato do brasileiro não deixou de ser arroz, FEIJÃO, angu e uma carne, agora ele deve comer arroz com feijão e feijão e feijão. A repórter ficou desapontada com a resposta dada e eu acredito que muitos brasileiros trabalhadores que recebem um salário mínimo também ficaram. A maioria não entende, e nem pode entender pela cultura pouca, o valor de um nutriente ou nem pensa em nutrientes e calorias e permitidos ou proibidos na hora de matar a sua fome e a de seus filhos.
A comida do brasileiro tem como base café com pão e arroz com feijão. Não dá pra mudar isso!
“Se não tem pão, coma feijão” – ou seria – “Se não tem carne, coma brioche?”

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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