CARNAVAL – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

CARNAVAL

Como eu já gostei de carnaval. Eu passava o ano todo esperando o carnaval. Fazia fantasias e não perdia um dia de folia. Costumava perder de quatro a cinco quilos de peso pulando carnaval. Era uma época onde eu esquecia até de comer e beber, só quando tinha sede. Na minha época de adolescente e adulto jovem, havia um carnaval de rua dos melhores, sem violência, sem drogas – algumas pessoas usavam, como algumas também bebiam demais -, mas andávamos pela cidade dia e noite sem nenhum problema. E ainda havia os bailes de clube onde a gente se acabava de tanto dançar ao ritmo de marchinhas, de sambas populares e sambas enredo.
Lembro-me sempre de 1984 quando tivemos vinte e um dias de carnaval em Juiz de Fora. Começamos com as bandas de bairros – eram muitas – e íamos para ensaios de escolas de samba toda noite. Culminou no grande desfile das escolas de samba na Avenida Rio Branco. Claro que ainda existe a polêmica de muita gente achar que o carnaval de Juiz de Fora deveria ser na Avenida e muitos que são contra porque atrapalha o trânsito e a vida na cidade. Por mim, carnaval é a vida! Nesse ano, pulamos carnaval dia e noite, um amigo, desfilou em todas as escolas e eu achei fantástico.
Eu desfilei uma única vez em uma escola de samba de Juiz de Fora e foi muito bom. A Juventude Imperial naquele ano não ganhou o carnaval, mas importava pra gente o desfile e fazer bonito na avenida. Foi realmente bom.
Passei depois muitos anos sem participar do carnaval e preferia ficar em casa, às vezes, nem o desfile das escolas de samba de São Paulo e Rio de Janeiro interessavam.


Esse ano, a convite da minha irmã, vim para Conselheiro Lafaiete participar do carnaval que segundo ela seria a volta do carnaval antigo, com bandinhas e marchinhas. Confesso que resolvi vir mesmo não acreditando muito. Fomos para o que abriu o Carnaval 2017 de Lafaiete, o Bloco do Rosário. Muito bom.

No meio do bairro um toldo imenso fazia da rua um salão de baile, algumas pessoas fantasiadas e todas com muita alegria e prazer de estar ali. Claro que abracei o movimento e consegui pular um carnaval digno de tempos antigos. Claro que é super importante agradecer e homenagear as pessoas que foram responsáveis pelo evento, parabenizar à polícia militar e a todos os participantes da festa. Foi muito bom. Momentos de descontração e paz com muita música boa e amigos.
Valeu a pena ter participado do Bloco da Tradição do Rosário ontem. Vamos ver o que nos espera hoje na Praça Tiradentes. Grande abraço e bom carnaval a todos.

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Obs: As fotos foram copiadas do acervo do meu amigo Mauro Dutra de Faria.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

4 comentáriosDeixe um comentário

  • Como sempre, movimenta-se o autor num processo narrativo memorialista que surpreende pelo sentimento nostálgico que não se apaga nem mesmo quando faz alusão a fatos ruins da modernidade. O texto segue linear e leve, em ritmo de carnaval diafáno e a escrita desliza leveza no coração do leitor.

  • Adorei de verdade ,esta crônica sobre o carnaval ,que na realidade é verdade ,fala que ainda podemos sim ,ter um carnaval familiar ,sem violências e aproveitar para nos divertir .Agradeço a tua presença e agradeço também aos organizadores ,pois me lembrou os bons tempos .

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