CONTOS – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

Categoria -CONTOS

JUVENAL ENCONTRA A MORTE

Juvenal sempre que entrava na garagem do seu prédio achava que estava muito escuro, mesmo que fosse dia e o sol do lado de fora brilhasse com todo seu esplendor. Seu carro ficava em uma das últimas vagas e ele tinha que andar muito entre diversos carros estacionados. Ele já conversara com o porteiro para ver a solução para aquela escuridão...

KLAUSS – O SUPER HUMANO

Muita poeira, muito pó de várias espécies, muita pedra, muitos escombros, muita dor, muita destruição. O cenário era de ruínas e nada estava no seu lugar. Casas, prédios e qualquer tipo de construção estavam destruídos pelo imenso abalo do último terremoto que acontecera em Kaunani, aquele pequeno país do Pacífico Sul. Na noite que...

A VINGANÇA

Todo dia ele entrava na empresa e ela estava parada no saguão olhando pra ele. Guilherme Damasceno, dono de uma grande empresa de construção civil, passava pela gorda e desprovida de beleza que era sua secretária há dois anos e se limitava a dar bom dia e depois rir e comentar com seus funcionários mais chegados: _ Socorro, aquela gorda quer...

O MENINO RUIVO

1998 Ele estava ali parado olhando a escola passar com quarenta crianças de seis a sete anos. Estavam em uma feira de livros no espaço denominado Exposhopping em Juiz de Fora. A ideia era iniciar o programa de Bienais de Livros da cidade. Não se repetiu. Manuel olhava cada criança e as admirava. Não com olhar de pedófilo que ele nunca fora...

RODOCROCITA – A PEDRA DO AMOR MAIOR

Nas terras altas, entre o Peru e a Bolívia, existia um templo Ajllas às margens do Lago Titicaca. Nesse templo viviam virgens sacerdotisas que prestavam dedicação total ao deus Inti. Elas viviam em harmonia e paz dentro do templo e tinham hábitos brancos e rosas para se vestir e flores para adornar seus corpos. Eram mulheres lindas e puras...

Jão e sua famia – conto em minerês

Ceis nem magina que qu’ô vô contá. É uma história di ficá muito sustado. Conteceu lá na roça tem poucos dia.   El gostava de ‘cordá cedo. Naquele dia, inda nem o sol pareceu no céu e lá estava ele, sentado na porta di casa, picano o fumo de rolo na mão pra fazê um pito, era o mió pito do dia. Nem bem lavava a cara e já...

JARDEL

Jardel era pesquisador do laboratório de bioquímica da empresa e era muito dedicado. O rapaz de 36 anos era alto, esportista, com um corpo definido em horas de academia e dieta balanceada. Gostava de usar os cabelos cheios, porém não longos e os fios loiros contrastavam com sua pele bronzeada de sol. Seu trabalho era exaustivo e ele passava...

EU MATEI MINHA FILHA

_ Eu matei minha filha! O velho de barbas brancas gritava e todo o hospital psiquiátrico ouvia, apesar de estar confinado no seu quarto de isolamento e contido no leito. _ Eu matei minha filha! Eu matei minha filha! Sempre que sentia falta de casa ou da família ele começava a gritar e sempre e sempre chorava e pedia perdão a Deus por ter...

AS BRUXAS – TERCEIRO CAPÍTULO

Na mesa as velhas emanavam uma luz amarela que iluminava toda a casa. Continuavam cantando e falando coisas que JP não entendia muito bem. As velas tremiam com os gestos que as bruxas executavam para orar, para emitir alguma emoção mais forte. As taças foram repletas de vinho e água e Maria da Dores colocou as mãos por cima delas e as benzeu...

AS BRUXAS – PRIMEIRO CAPÍTULO

Naquela cidade pequena do interior, na última sexta-feira de cada mês, reuniam-se as cinco mulheres mais velhas do município para tomar um chá à meia noite. Sim! Um chá a meia noite! As famílias delas não se importavam com a reunião das velhas e como era uma cidade pequena, ninguém nunca vira ou ouvira dizer o que acontecia no chá da...