CRÔNICAS – Página: 2 – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

Categoria -CRÔNICAS

LOJINHA DE TURCO

É chegado o fim do ano. 2017, esse ano de Jesus Cristo, cheio de coisas boas e coisas más, mais boas, como todos os anos de nossas vidas. Com o fim do ano, logo após o Natal, o que mais se ouvem são os votos de boas entradas, felicidades e realizações e, principalmente, aquela frase que bem poderia ser nome de estabelecimento comercial de...

EU NÃO ME CASO

– Eu não me caso! – Por que não, cara? – Por quê? Imagina você: – a gente se casa e aí se acostuma a ser casado. – Certo! Qual o problema? – O problema é que enche o saco e aí tem que se separar. – Mas pensando assim, meu amigo, não vai dar certo nunca! – Eu sei! Mas aí tem que separar e...

ENTREVISTA COM O VAMPIRO DOUGLAS

Eu saí de casa, entrei no meu carro e comecei a dar ré para poder sair da garagem. Estava indo para a faculdade dar aulas e o tempo estava justo. Olhando pelo retrovisor eu continuei a ré até a área de manobras e o sensor de ré começou a sinalizar apesar de eu não ver nada no espelho. Bati em alguém. Sabia que era alguém porque ouvi um...

VIVA MADRI

Ele não sabia aonde ir. Estava parado naquela praça, cheia de pessoas que passavam de um lado para o outro e corriam e riam e brincavam e se divertiam, mas ele não sabia aonde ir. Acabara de chegar naquele lugar desconhecido, com gente desconhecida. Tinha sorte, ou merecimento, de falar a língua daquele país e conhecer a história...

O SOL

Quando me perguntaram na festa o que eu esperava da vida, simplesmente respondi: _ Que o mundo se abra e a terra me engula. A senhora gorda me olhou e, talvez, por achar a minha resposta mal educada, se afastou. Eu andava na sala olhando o povo que se balançava ao som de suas músicas estridentes, ou mesmo na algazarra de suas conversas, me via...

FOME

Uma mulher magra! Muito magra, com os ossos à flor da pele, se é que lhe restava pele. Vestida de molambos, rasgados pelas madrugas dos frios invernos de calçadas, cada dia mais nua. Com um passado negro, um futuro horrendo e um presente famintos, a esmolante anda pelas ruas de belos apartamentos e carros. Aos seu pés chora o filho que quer...

CORRER DEVAGAR

O homem de terno correu e atravessou a rua mesmo com o sinal estando aberto para pedestres. Ninguém observou nada de anormal, mas do outro lado da rua o homem do terno foi abalroado por um homem sem terno, mais novo, mais magro, que indagou: _ Por que o senhor correu se o sinal estava fechado? _ Porque eu estou com pressa – respondeu o homem...

QUEM PROCURA SEMPRE ACHA

Todo dia quando ele entrava naquela rua tinha um frio na espinha e pensava que algo de ruim iria acontecer com ele. Era uma rua curta, mas a iluminação era precária e ele tinha que passar por ali para chegar em casa. Saia do trabalho às vinte e uma horas e quando passava naquele trecho específico imaginava-se sendo vigiado por alguma força...

O MAR

Ele olhava fixamente o mar a sua frente. O azul penetrava na sua mente e ele voltava ao passado, ele buscava no seu íntimo a razão daquela existência e do que fazia ali. Não havia motivos expressivos para estar tão só e com tanta dor espiritual e psicológica. Doíam-lhe as entranhas de se saber só e o porquê de tudo aquilo. O céu...

AINDA EXISTEM CAVALHEIROS

_ Pode sentar-se aqui! – disse a voz do rapaz que se levantara e oferecia o seu lugar a uma senhora gorda. Com isso talvez, ele procurasse ser cavalheiro, talvez mostrasse aos que o olharam que ainda se podia ser gentil em pleno início de fim de século XX. O povo o olhava incrédulo como a se perguntar por que será que ele havia dado o seu...