CRÔNICAS – Página: 3 – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

Categoria -CRÔNICAS

FATOS CURIOSOS DE UM DIA

  “Saudosa maloca, maloca querida”…[1] Pelo ar invadia a voz estridente da Elisa, uma louca que morava na pensão. Sua voz aguda acordava aos poucos as pessoas que dormiam naquele sábado até mais tarde. “Saudosa maloca, maloca querida”… Aos poucos a pensão ia se movimentado e dando ar de vida. Tia Dô, na cozinha...

VIAGEM V

Houve aquela viagem que o Júnior fez para o norte de Minas em um projeto Rondon. Claro que depois de alguns lugares aí pra cima no estado – em direção ao norte – os ônibus caem de qualidade assustadoramente. E lá estava o meu amigo metido numa jardineira a caminho de algum lugar que, certamente, não consta do mapa. A viagem por essas...

VIAGEM IV

Minha primeira viagem de avião foi um presente dos deuses. Meus amigos da faculdade todos, já tinham feito Projeto Rondon – um programa do governo muito bom para assistência às regiões menos favorecidas do país que não deveria ter terminado nuca -, e na época, eu não tinha podido ir. Com certeza, foram problemas de dinheiro para coisas...

UNHA ENCRAVADA

  Eu passei um tempo em minha vida onde as minhas unhas dos pés não eram encravadas. Não doíam e eu podia usar qualquer tipo de sapato. Eu tinha unhas bonitas e pés bonitos também. Eu cuidava e gostava de ver meus pés descalços pisando no tapete da sala. Gostava de usar meias caras, importadas, de seda que encaixavam nos meus pés...

VIAGEM III

    É claro que do tempo em que tentávamos provas de residência médica, houve muitas viagens engraçadas. Houve aquela primeira prova que fomos fazer em Belo Horizonte ainda em outubro – formar-nos-íamos em dezembro – e o ônibus era quase todo da nossa turma da faculdade. Fazíamos uma confusão dentro do veículo e, me lembro...

ESPERANÇA

  O corpo moribundo, respirando por meio de aparelhos, ainda mantinha presa a alma que pensava já em unir-se a outras nos planos invisíveis. Os olhos baços, a pele ressequida, o coração sem vontade de bater, o ar que já não filtrava nos alvéolos mesmo empurrado pelo ventilador aos pulmões… O corpo se consumia na UTI. E na hora...

FRIO

  Frio! Frio! Frio! Frio como há muito tempo não fazia frio em Juiz de Fora. Eu, atravessando a avenida Rio Branco, correndo para ir para casa o mais rápido possível, deixei cair uma moeda que rolou pela avenida sem a mínima chance de eu pega-la. Parei do outro lado da avenida e tentando imaginar o que houvera perdido, sucumbi-me ao...

ALCÉPIO

  – Alcépio Carlos de Jesus – chamei o meu próximo paciente. Levantou-se um casal, vestidos a contento, roupas de boa qualidade e senti o cheiro: – o último banho deve ter sido na época do Dilúvio. – O que está acontecendo, Alcépio? – perguntei ao rapaz de seus vinte e oito anos de idade. – Sabe, doutor, eu...

VIAGENS – I

  A melhor forma de viajar é, sem dúvida, chegar ao Galeão e pegar um avião. Pode ser para qualquer lugar! Sempre pensava nisso quando tinha que voltar de Conselheiro Lafaiete, onde nasci e moram muitos parentes ainda, fazendo baldeção em Barbacena nos ônibus da ÚTIL e TRANSUR. Foi assim que aprendi a viajar no banco próximo à...