CÉU ENLUARADO – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

CÉU ENLUARADO

 

Ando sob céu enluarado,

Vejo as sombras de um jardim

Num lago apaixonado

E penso um pouco em mim.

 

É lascivo e monótono o tédio,

É delirante e fogosa a dor…

Mas sei, digo-te pois,

Que o que faço, não o deveria…

 

Ando meio abstrato no mundo

Vendo homens famintos e gordos ladrões,

Vendo chuvas, enchentes, secas, maldições…

Vendo enfim, o tempo passando…

 

Quantos que morrem de fome,

Quantos e tantas doenças,

Quantos e tantos crimes,

Quantas prostitutas e tantos covardes…

 

A polícia rouba e mata alguns,

Reprime e cala a boca do mais fraco,

O homem se arrasta no lodo da vida,

Fedendo a sangue, a bosta, a podridão…

 

Ando sob um céu enluarado

Sonhando com um dia que despontará

Sorrindo para todos igualmente…

Aí sim, pensarei um pouco em mim.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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