DESENCANTO – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

DESENCANTO

 

Não sei se me vale

Apagar a luz e sonhar,

Ou cobrir os olhos com as mãos

E tentar buscar

N’algum corpo sólido,

insólito,

irreal,

inexistente talvez,

O álibi pro meu desencanto!

Não sei se me vale

Ocultar o que sinto,

Ocultar o que quero agora,

O que me falta

Pr’um descanso,

pr’um consolo,

pr’um encantamento,

relaxante,

enebriante,

Que me acalmará a fogueira que queima

Em alguma parte do meu corpo.

Queria mesmo saber,

Queria ouvir

um canto perdido no ar,

Sem apagar as luzes reais,

Sem acender luzes fantásticas,

Sem sonhar dormindo no leito,

Sem sonhar perdido pelas ruas…

Queria ser real, verdadeiro

No que digo, no que escrevo, no que falo.

E explorar melhor esse momento

E relatar-me e decifrar-me

Sem deixar de ser enigma,

Como todo poeta!

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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