DIÁRIO DO CONFINAMENTO – 2 – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

DIÁRIO DO CONFINAMENTO – 2

24 de março de 2020

D 7 de confinamento

Eu acordei hoje sem saber que dia era. Teve uma grande vantagem de eu saber quem eu era.
O grande problema do confinamento é que muitas vezes os dias são iguais e a gente se sente perdido. Você não faz nada no domingo que é o “dia do tédio” e a sua segunda-feira será igual porque você não pode fazer nada fora de casa. Acordei, levantei, tomei banho e fui para o desjejum. Parei para ver as novidades na internet e tudo e todos só falavam da mesma coisa. Eu tive que responder algumas dúvidas inclusive de pacientes e mandei mensagens para vários amigos e parentes para saber como estão e para que saibam que não estão sozinhos.
Aí, eu tive que sair: banco e farmácia. Rapidinho!
Encontrei na rua um bando de idosos perambulando descontraidamente. Um monte de outras pessoas andando por aí. E como disse um amigo, com as ruas mais vazias a sensação é que somos ETs ou estamos sendo observados por um bando de zumbis que a qualquer hora podem atacar e nos estraçalhar devorando-nos aos pedaços.
Voltei pra casa e postei novamente nas redes: “FIQUEM EM CASA”!
Entrei em casa como o vampiro que chega ao seu abrigo e consegue se proteger do sol. Respirei fundo e estava de volta à minha casa com um dia imenso pela frente. Que bom!
O fato de estar em confinamento não pode ser doloroso. Temos que arrumar coisas que nos agradem para fazer. Nem sempre temos vontade de fazer essa ou aquela coisa, às vezes o corpo dói porque não está em movimento, não estamos fazendo nossas atividades diárias, ou não estamos fazendo nossa atividade física normal da semana, mas é bom insistir e acabamos encontrando algo prazeroso para fazer. Eu passei a tarde traduzindo poesias minhas para o italiano. Pretendo publicar um livro de poemas na Itália. Claro que vou precisar de um revisor italiano urgente.
Enfim, o que temos de bom no confinamento é a nossa própria descoberta. Se aproveitarmos esse tempo para organizar não só nossas coisas, mas nossa mente, organizar nossas prioridades, nossos objetivos de vida, vamos sair desse período sombrio – apesar do sol de outono estar brilhante lá fora – com mais força e fé!
Deus esteja conosco!

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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