DISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA JUIZ-FORANA DE LETRAS – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

DISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA JUIZ-FORANA DE LETRAS

Exmo Sr. Dilermando Rocha Galvão, digníssimo presidente da Academia Juiz-forana de Letras, Exma. Sra. Marisa Timponi Pereira Rodrigues, vice-presidente que juntamente com Leila Barbosa são minhas madrinhas na entrada dessa academia, Professora Cecy Barbosa Campos, atual secretária da Academia, demais membros da diretoria, confrades e confreiras, amigos, minha esposa Ângela Cruzick e familiares.

Eu gostaria de começar a minha fala neste momento dizendo o quanto é importante para mim estar entrando para a Academia Juiz-forana de Letras. Desde que cheguei a Juiz de Fora em agosto de 1980, com muita coisa escrita, nada publicada, meu grande sonho era fazer parte dessa academia. Conheci vários membros no decorrer da minha vida médica e também por sempre fazer parte do cenário cultural da cidade. Fui professor de língua italiana durante vinte anos e durante esse período, era atuante na colônia italiana e nas reuniões festivas e culturais. Conheci e eram pessoas de quem eu gostava muito Wilson de Lima Bastos e Creusa Cavalcanti França. Durante o meu período de faculdade, eu fui aluno de inglês da professora Cecy Barbosa Campos, pena que foi apenas um período. Na Casa d’Itallia, conheci o Ismair Zaghetto e o Wilson Cid. No período que cantei no coral Gavroche, conheci a Ivonne Zimmerman. A Marisa Timponi e a Leila conheço de longa data. A Marisa fez a correção ortográfica da minha dissertação de mestrado e o professor José Carlos, marido da Leila foi meu professor de farmacologia na faculdade nos idos de 1982. Enfim, o que quero dizer é que me sinto entre amigos nesta casa. Pretendo conhecer todos os outros e também que todos me conheçam.

Ocupo a partir de hoje a cadeira de número 2. Essa cadeira tem como patrono o Dr. Francisco Augusto Pinto de Moura. Ele foi advogado, jornalista, poeta e brilhante prosador. Nasceu em 2 de abril de 1864, na fazenda dos Medeiros, próximo ao arraial de Santa Quitéria, Sabará, Minas Gerais, filho de Maximiano Augusto Pinto e Francisca de Paula Teixeira Motta.

Começou tarde seus estudos, mas conseguiu terminar a Faculdade de Direito de São Paulo em 04 de dezembro de 1890.

Quando ainda estudante, mostrando seus dotes políticos e jornalísticos, redigiu o “Vinte e um de abril”, órgão do Partido Republicano Mineiro Acadêmico ao lado de Delfim Moreira e Estevam Lobo. Foi o primeiro secretário desse partido surgido em 1888. No período da propaganda republicana, colaborou em diversos jornais como “O Paiz”, “Diário de Notícias” do Rio, “A Propaganda”, de Juiz de Fora.

Foi ainda, coproprietário e redator do “Novidades”, depois “Correio da Tarde”, um dos fundadores e redator-chefe do “Palládio” e do “Lar Católico” e primeiro redator-chefe do “Diário Mercantil” de Juiz de Fora.

Casou-se a primeira vez com Dona Ernestina Martins, em 29 de dezembro de 1890, tendo os filhos: Maria da Dores, Alcides, Manoel, Esther e Francisco de Paula. Enviuvou-se em 19 de maio de 1900 e em 2 de julho de 1902, casou-se com Dona Domingas Rodrigues da Costa. No segundo casamento, teve como filhos, José, Rubens, Jacinto, João, Valente, Ana Maria e Maria Vicentina.

Logo depois de formado foi nomeado pro decreto presidencial, Promotor público da comarca de Carmo de Franca, no estado de São Paulo, em 10 de dezembro de 1890 e em 18 de fevereiro de 1891 foi nomeado Juiz Municipal e de Órfãos das comarcas do Carmo e de Santa Rita do Paraíso, São Paulo.

Posteriormente, transferido para a magistratura mineira, exerceu o cargo de Juiz de Direito em Barbacena, de onde se transferiu para Juiz de Fora.

Ingressando na política como vereador à Câmara Municipal de Juiz de Fora, foi, posteriormente, eleito deputado no Congresso Mineiro por duas vezes, em 1895 e 1915. Exerceu o cargo de vereador por mais de uma vez entre 1912 a 1922.

Sua atuação no Congresso foi das mais atuantes: Presidente da Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados e Relator da Despesa, na Comissão de Orçamento. Tomou parte ativa na reforma eleitoral e na reforma da justiça, pronunciando notáveis discursos, em uma demonstração inequívoca de o seu alto saber jurídico.

Cooperou ativamente com a “Associação Beneficente Operária de Juiz de Fora” inaugurada em 1° de maio de 1918.

Militou no magistério tendo sido professor e um dos fundadores da Faculdade de Direito de Juiz de Fora e ainda professor de filosofia da Academia de Comércio de Juiz de Fora.

Prosador perfeito, poeta inspirado, foi membro da Academia Mineira de Letras, de que foi um dos fundadores, ocupando a cadeira n° 40, cujo patrono é o Visconde de Caeté, seu ilustre avô materno.

Francisco tinha uma fisionomia doce e espiritualizada. Tinha o dom da palavra fácil e sedutora, era ainda bastante humanitário.

Em 1919 foi prefeito de Caxambu, exercendo o cargo por quatro anos.

Morreu em 17 de janeiro de 1924.

 

Minha antecessora, nessa cadeira, foi a advogada, musicista e professora Vera Carmem Horta Colucci. Vera nasceu na cidade de Juiz de Fora e foi filha de Benjamin Colucci, patrono da cadeira nº 17 dessa academia e Maria de Lourdes Horta Colucci. Ela foi escritora e, como pintora, foi laureada com medalha de Bronze e, 1911 na Exposição Internacional de Pintura do Salon de Paris, França, ao lado de grandes pintores da época.

Vera estudou no Colégio São José o primário, ginásio e como curso secundário fez contabilidade, estudou ainda inglês e Piano com a professora Haydée Americano. Cursou Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais Vianna Júnior.

Vera exerceu o magistério como professora de piano, no Conservatório Brasileiro de Música e foi professora de inglês no colégio São José, onde estudara quase toda sua vida.

Vera ainda foi regente do Coral do Grupo 3ª Idade do SESC – Juiz de Fora, Pianista da Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora; membro da União Brasileira de Trovadores, seção Juiz de Fora; membro da Academia Juizforana de Letras, exercendo o cargo de Tesoureira e advogada com especialização em Direito da Família e Direito Sucessório.

Vera foi uma pessoa de grandes atividades no setor de artes e literatura da cidade. Seu pai Benjamim Colucci, estudou no Granbery, iniciou direito em Belo Horizonte, fez o 3º e 4º ano no Rio de Janeiro e em 1908 voltou para Belo Horizonte. Iniciou a carreira de advogado na cidade de Juiz de Fora tornando-se um exemplo da magistratura. Foi professor do instituto Granbery por dezenas de anos e catedrático da Escola de Engenharia de Juiz de Fora. Era um estudioso do Esperanto e fez várias palestras representando o Brasil em vários países da Europa e América. Morreu em 03 de dezembro de 1962.

 

Apresentando assim, senhores, o patrono da minha cadeira Dr. Francisco Augusto Pinto de Moura e da minha antecessora, Professora Vera Carmem Horta Colucci, expresso a honra de ocupar tal posto e pertencer à Academia Juiz-forana de Letras com a qual, como disse anteriormente, sempre sonhei fazer parte, hoje, coloco-me ao lado de todos aqui presentes e aqueles que fazem parte desse seleto grupo e que não puderam comparecer para continuar lutando pela divulgação das letras e da cultura nesse nosso país, tão sofrido e, infelizmente, onde a cultura e a literatura não atinge a maior parte da população. Nosso povo hoje, lê pouco, tem uma cultura de televisão, não pensa como deveria e se deixa ser levado por promessas infundadas de governantes nem sempre probos e honestos.

Termino o meu discurso, senhores e senhoras, reafirmando a minha alegria em estar nessa casa e oferecendo-me para ajudar a crescer cada vez mais a Academia Juiz-forana de Letras. Obrigado.

 

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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