EU AMO – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

EU AMO

Hoje eu amo, mas é um amor menos tenso, menos dramático, sem as loucuras de um coração desvairado.

Hoje eu amo, mas tenho em uma vida inteira a experiência que me dá a proporção certa de doação para eu não sofrer os desenganos, não me perder nas frustrações, não querer morrer a cada adeus.

O amor que sinto hoje, mais maduro, mais contido, é o mesmo amor intenso dos meus dezesseis anos, da minha juventude cheia de energia e volúpia. É o mesmo amor! Porém sei dosar a minha entrega ao ser amado, sei preservar incólume o meu eu e se um dia desmoronar o castelo, agora, não tanto de sonhos, estarei livre dos escombros, talvez empoeirado, mas sem feridas profundas.

Modo de fuga, proteção, medo? Não! Acredito muito que não se pode viver com medo. Alguém já disse: “Viver com medo, é viver pela metade”.[1] Não tenho medo de me entregar às pessoas que passem pela minha vida, amores, amigos, família, sei lá a mais quem eu poderia me entregar inteiro. Não é medo! Não tenho medo de amar.

Algumas vezes já quebrei a cara por amar demais. Algumas vezes já me senti o pior ser do universo. O que restou dessa destruição total da alma? Um ser mais maduro, mais centrado, mais objetivo. Algumas entregas mudaram a minha vida e, de repente, contribuem para eu ser como sou. Eu já amei demais pessoas que não mereciam esse amor.

Nada justifica, no entanto, a maturidade, nada disso justifica e esclarece a vivência que temos a cada dia. Se vamos fugir, carregamos conosco o amor e o ser amado. Carregamos o sentimento e a falta material daquele ser a quem julgamos merecedor de nossa total atenção, amor, dedicação.

Se não amamos por pura autopreservação, proteção a nós mesmos, deixamos de viver simplesmente. O amor é o tempero fundamental na vida de todos nós.

Hoje eu amo. Amo muito e com toda a força do meu coração. Sou um ser só emoção, onde a razão, nessa maturidade, comanda meus sentimentos. Gosto de amar, gosto de me apaixonar, nem que seja por tempo curtíssimo. Isso dá calor e mantém a máquina funcionando nos trilhos da vida.

Porém hoje, o meu amor de tão intenso, de tão forte, permite-me amar-me mais e, igualmente, dar a volta por cima e sacudir a poeira e viver feliz e amar de novo quantas vezes me forem permitidas.

[1] Dirty Dancing – Ritmo quente – filme americano – 1987

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

2 comentáriosDeixe um comentário

  • Olá, meu amigo Dr. Artur…que prazer reler suas poesias…elas sempre me inspiram como me inspiravam quando comecei a escrever, influenciado por você.
    Como é bom ler boa poesia e se encantar, se inspirar e escrever.
    Parabéns pelo blog. Parabéns pelas lindas telas. Abraços

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