EU, ARTUR LAIZO ESCRITOR – Pão de Canela e Prosa
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EU, ARTUR LAIZO ESCRITOR

Eu aprendi datilografia em uma máquina de escrever Remington imensa para meus oito anos de idade e sonhava ser um escritor. Apesar da insistência da professora, eu escrevia muito rápido, usando três dedos de cada mão.

Continuei escrevendo na minha máquina de escrever pessoal que deveria ter vinte e cinco centímetro de largura e vinte e cinco quilos – era toda de ferro e eu tenho uma grande tristeza de tê-la perdido ao longo da vida.

Mas com a vontade imensa de ser um escritor aos dez anos de idade eu datilografei em um papel fino, uma história, coloquei uma capa de papelão ondulado onde fiz um desenho e o título e coloquei na minha estante de livros – aos dez anos eu começava a ter uma estante de livros – e disse: “Meu primeiro livro!

Se eu parasse por aí poderia me dizer escritor. Claro! Eu tinha um livro na estante. Para mostrar para a família, para exibir que eu era um escritor, estava pronto.

Claro que minha visão de vida e futuro, mesmo aos dez anos de idade, não era essa. Eu continuei escrevendo. Continuei estudando e nessa época eu tinha um medo absurdo de não ter conhecimentos gerais quando ficasse um pouco mais velho. Cobrar-me-ei o resto da vida não saber um pouco de tudo.

Aos treze anos escrevi “Lembranças do Oriente” – romance fantástico com muitas influências de todos os livros que eu já havia lido – e já eram muitos pela idade. Como publicar um livro sendo de uma família de classe média baixa em 1973 morando em Conselheiro Lafaiete? Livro escrito – livro guardado. Passei a escrever outros.

Meu professor de matemática na época, Luiz Carlos Gomes Beato, leu alguns de meus poemas e me convocou a sua casa em um sábado de manhã e com o professor de português me deram uma aula de verificação. Fez-me ler os clássicos e, principalmente, Olavo Bilac. Passei a fazer poesias parnasianas e contar a métrica nos dedos enquanto pensava. Não era o que eu queria!

Nas minhas buscas constantes, descobri Manuel Bandeira que virou meu amigo, meu guru e, principalmente, meu ídolo na poesia. Passei a fazer poesias livres com muito mais sentimento e liberdade.

“Ninguém nesse país vive de literatura, exceto Jorge Amado” – diziam todos na minha época de adolescente. Tudo bem! Vou me dedicar ao outro dom tão grande quanto a literatura, a Medicina. Enquanto estudante de medicina, escrevia como sempre, lia como sempre e despejava todos os dissabores em romances, contos, crônicas e poesias. Houve época de depressão profunda e mais de duzentas poesias em um mês. Houve época de calmaria e “falsa felicidade” onde passei anos sem escrever. Nessa época, eu comprei uma máquina de escrever eletrônica e passei a usar quatro dedos de cada mão.

Mas a literatura gritava na alma.

Em 1997 eu tinha como pagar a produção de um livro. Sem computador, internet, qualquer outro recurso, reuni minhas poesias e o primeiro grupo de cinquenta poemas resolvi publicar com o nome de “Coisas da Noite”. Que coisa boa. Alguma coisa de vinte e oito anos estava sendo mostrada. Precisava de mais. Procurei a mesma gráfica e em 1998 eu lancei “Maloca Querida”, um livro de crônicas a maioria engraçada. Estava dando certo. Lancei então, em 1999, “É difícil morrer”, um romance realista que até hoje é um sucesso. Eu tinha um monte de livros, vendia no lançamento, doava para amigos outros tantos e nem sabia como divulgar isso tudo. Eu era escritor? Sim! Sempre fui desde que me entendo por gente, culpa de minha mãe que, mesmo com pouquíssimo estudo, me fez ler e gostar de ler, estudar, saber cada vez mais. Mas como jamais estarei satisfeito com o que eu posso conseguir, eu continuei escrevendo e trabalhando. Em 2003 era a hora de publicar “Lembranças do Oriente” – trinta anos depois -, reli, revi e atualizei o texto, mas a ideia original era muito boa e permaneceu. A medicina exigia e eu também passei publicar textos técnicos, artigos científicos em Portugal, Itália e, é claro no Brasil. Mestrado e doutorado em cirurgia, dissertação e tese, orientação de Trabalhos de Conclusão de Curso na faculdade onde leciono, só vieram mostrar que todo esse conhecimento geral, esse estudo incessante da vida e da língua portuguesa me permitem!

Escrever está na alma! Em 1999 a vida me deu uma rasteira imensa e novo quadro de depressão profunda me fez escrever “A festa derradeira” em quarenta dias. Confesso que terminei de escrever a história do Wagner aos prantos. “Lavei minha roupa suja” toda contando a história do meu personagem.

Escrevi mais algumas poesias, muitas, e isso é uma forma ótima de terapia. Consegue-se jogar muita coisa fora escrevendo. Nessa época, já com o computador, eu usava os dez dedos e faltava dedos para escrever mais rápido.

Em 2015, resolvi investir de verdade na minha carreira de escritor. Peguei um texto que havia escrito em 1986 e fiz uma releitura, escrevi mais cento e cinquenta páginas e publiquei em 2016 “A mansão do Rio Vermelho”. Uau! Sucesso! Uma editora de renome, um lançamento diferenciado e eu passei então, a ser o Artur Laizo escritor. Há quem não saiba que eu sou cirurgião.

Em 2017, através da Amazon.com.br publiquei o meu primeiro e-book: “Oi, tudo bem?”. Um triângulo amoroso que não tem um final muito convencional.

Em 2018, “A mansão do Rio Vermelho 2 – Um vampiro nos trópicos” deu continuidade à saga do meu vampiro. Comecei a escrever AMRVII quinze anos após o primeiro. E as quarenta páginas viraram 350.

Nesse período vampiresco, participei de uma antologia “Vampiro – um livro colaborativo” da Editora Empíreo” e ganhei uma família de vampiros. Publiquei mais um monte de contos em várias antologias. Estou com “A mansão do Rio Vermelho 3” e “O vampiro Douglas” prontos para o mercado… e não quero parar.

Hoje eu sou presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora – LEIAJF -, membro da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete – ACLCL -, membro da Academia Juiz-forana de Letras – AJL – e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Presidente Antônio Carlos – FAME/UNIPAC JF.

CHEGA?

NÃO! Nunca pode chegar! Eu não me permito ser um escritor que tem um livro na estante pra família ver e eu dizer: “Eu sou escritor” de um livro só que ninguém leu. Quero muito que alguém no interior do Acre ache o meu livro ótimo e que alguém no interior de Mato Grosso o ache péssimo. Quero que o Brasil inteiro leia tudo que eu escrevo e, quiçá, o mundo todo leia meus escritos.

Meu grande problema é: o mundo é grande demais e o meu objetivo de vida é maior que o mundo.

Eu não sou escritor de um livro só colocado na estante pra família achar lindo. Quero que o mundo me conheça.

Ah, hoje com a facilidade, costumo mutas vezes escrever no celular com a mesma rapidez que sempre escrevi, mas apenas com um dedo.

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