EU SOU CHORÃO – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

EU SOU CHORÃO

Eu ainda consigo chorar no final de um livro. Nossa! E como choro com finais felizes ou tristes ou trágicos… A emoção faz parte da minha vida como uma das maiores coisas que eu carrego em mim. Sou extremamente chorão e gosto disso. Gosto de externar minhas emoções e, por isso mesmo, sou transparente. O que sinto não consigo esconder e rio e choro, falo baixo ou alto, elogio ou critico com a mesma facilidade. Não consigo esconder o que sinto. Se aconteceu uma coisa que me desagrada, eu vou falar a respeito com quem me desagradou e não vou conseguir dormir enquanto não soltar essa bola de fel que me obstrui o esôfago. Do mesmo jeito, sou capaz de elogiar uma coisa bonita que observo em alguém, seja um brinco, uma gravata, um vestido, uma camisa. Jamais critico, no entanto, alguma coisa pelo simples fato de falar mal.
Mas, como ia dizendo e esse é o real motivo dessa crônica, eu choro fácil.
Choro com final de esportes e entrega de medalhas. Filmes? Uma vez, me lembro bem, saímos de casa, eu morava em República de estudantes com mais cinco rapazes, eu disse que iríamos ao cinema e que eu iria chorar muito. O filme era “O Campeão” com John Voight. Saí do cinema com a camisa molhada e todos respeitaram minha emoção com aquela relação incrível de amor entre pai e filho.

Ontem acabei de ler o primeiro livro de uma trilogia. aos prantos. Imaginei que poderia ter outro final e odiei o autor pelo que ele fez com um dos personagens. Essa reação é ótima e eu preciso contar para o autor do livro que eu o odiei nesse momento – ou seja, ele atingiu o objetivo dele: passar a emoção ao leitor.
Quando terminei de escrever “A festa derradeira”, eu escrevi os últimos capítulos sem conseguir enxergar direito o teclado de tanto chorar. Mas, naquele livro, eu joguei em quarenta dias toda a minha imensa depressão que me fez escrever aquele drama. O livro foi a minha salvação na época.
Fico muito feliz com essas minhas reações de emoção pura, de transparência, de me entregar de corpo e alma a tudo. Choro e gosto de ser chorão. Se algum dia eu parar de chorar, vai ser drástico. Final de emoção? Final de vida? Quem sabe eu vou deixar de ser chorão na hora da minha morte e começar a sorrir?

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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