FOME – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

FOME

Uma mulher magra! Muito magra, com os ossos à flor da pele, se é que lhe restava pele.

Vestida de molambos, rasgados pelas madrugas dos frios invernos de calçadas, cada dia mais nua.

Com um passado negro, um futuro horrendo e um presente famintos, a esmolante anda pelas ruas de belos apartamentos e carros. Aos seu pés chora o filho que quer comer, quer mamar e a mãe não tem forças para lhe falar nada, não tem uma gota de leite, não tem uma gota de sangue.

A fome a obriga a procurar nos lixos das casas restos apodrecidos de comidas, restos, restos, restos!

O olhar profundo as senhora, que devido ao seu poder econômico não é olhada, não é tratada como gente e é pisada e é motivo de zombaria e é motivo de uso de inescrupulosos, haja visto o filho, procura algo que possa calar no estômago, o frio ronco da fome. E acha e vê e come uma suja casca de banana que talvez possa enganar um pouco o tétrico estado de fome!…

 

Maloca Querida, 1998:49-50.

 

Foto: https://www.slideshare.net/conticasos/imagens-da-fome-no-mundo

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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