ÍDOLOS – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

ÍDOLOS

Nós queremos ser iguais a alguém.
Queremos ter algo semelhante ao de alguém – alguns até querem ter o próprio objeto que a outra pessoa tem.
Queremos nos comportar, nos vestir, falar, algumas vezes até pensar como outras pessoas. Queremos enfim, ter um corpo semelhante, ter um cabelo da mesma cor, usar um batom, ou uma cueca, ou uma blusinha, ou um moletom igual a de alguém.
Esse alguém – nosso ídolo – está ao nosso lado. Pode ser a atriz ou o ator da televisão ou do cinema, ou pode ser um primo, um tio, vizinho, colega de trabalho.
Na realidade, o que queremos é ao usar a mesma roupa, ou fazer as mesmas coisas demonstrar como amamos aquela pessoa. Claro que é um amor coletivo, subentendido, uma admiração, uma febre que dá e passa. Eu tenho meus ídolos e acho lindas todas as roupas que eles usam, desde a marca da cueca e da meia até o casaco ou o sobretudo em dias frios. Eu quero escrever como meus escritores preferidos, quero cantar as músicas dos meus cantores amados, passar as férias onde as passam as pessoas que eu admiro e ter as mesmas coisas que os personagens dos meus filmes e novelas têm.
É assim que vivemos, crescemos e formamos nossa personalidade. Há coisas que aquele lindo da novela vai usar e que eu não vou querer me submeter a ser motivo de gozação entre meus amigos e não vou usar. Mas fica lindo no lindo! Só nele! Há aquele vestido colante e esvoaçante que a mais bela do filme usou e que no inverno da minha cidade vai me causar uma doença séria. O vestido mais belo será da mais bela e eu usarei o vestido que me adaptará ao corpo e clima.
Enfim, sofremos influências o tempo todo do meio em que vivemos e é a partir dessas coisas ótimas que nos movimentam a mente que podemos escolher como ser, como nos vestir, como nos comportar.
Nossos ídolos mudam. Eles se modificam e, às vezes, deixam de ser nossos ídolos. Muitas vezes também, nossos valores e conceitos se modificam e nós trocamos de ídolos.
O importante é que da forma como vivemos, todos nós nos tornamos ídolos de alguém. Se formos do bem, agirmos com probidade e honestidade – em todos os sentidos e áreas a honestidade é a maior qualidade do ser humano -, conseguiremos ter fãs que nos seguirão pelo caminho do bem e da paz.
É importante ter ídolos.
É importante ser ídolo.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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