NÃO SEI – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

NÃO SEI

Estou acorrentado na parede branca dos meus dias

Amordaçado para não gritar por liberdade

Há barras de ferro que não me permitem voar.

O mundo que eu criei para mim

Agora me sufoca e não me deixa respirar.

Estou morrendo sem ar, sem luz, sem calor.

 

As correntes que me prendem machucam

Sangram-me braços e pernas enquanto a vida se esvai

Mordo o pano encharcado de saliva

Que não me deixa gritar e sinto o gosto amargo

Da bile que reflui do estômago nauseado

A vida se esvai, a energia acaba, o meu mundo me oprime

 

O que fazer nesse momento tão sofrido?

Derrubar as paredes brancas para ver o horizonte ao longe?

Cuspir a mordaça que me sufoca e me enoja?

Vomitar a bile cáustica que me amarga o corpo todo?

Correr atrás da vida que como uma chama de vela

Tremula, oscila, enfraquece e quase morre?

 

Nao sei!

 

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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