NASCENTE – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

NASCENTE

Meus dedos não me falam nada,

Mas tecem uma prece muda

Pr’eu não calar a boca…

Minha voz, presa no cárcere da garganta,

Sob as grades de meus dentes,

Desponta como a nascente

E caminha pra longe

Pra quem quiser banhar-se

Nas águas de minhas palavras…

Sou a nascente do rio que ouves,

Sou a fonte do som que perturba,

Sou tudo o que tu não esperas

E sou o turbilhão que te esmaga.

Carrego em mim

A loucura dos meus antigos

me lembrando sempre a dor

Do que possa vir com o sol

Que despontará amanhã!

 

Antologia poética, Premio CNNP 2017:61.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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