O VAMPIRO DOUGLAS – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

O VAMPIRO DOUGLAS

Então, gente, como eu prometi, vou contar o que aconteceu no meu encontro com o Douglas no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora. Eu fui pra lá caminhar. O dia estava lindo, sol de um lado, lua do outro. Estava calor, mas nada insuportável – detesto calor, todo mundo sabe – e eu precisando fazer exercício aeróbico.

Marquei com Douglas depois que o sol se escondesse, por isso eu teria que esperar até que ele pudesse sair de sua casa.

 

Primeiramente, devo apresentar o Douglas. Ele é um novo amigo. É um vampiro que mora há quase duzentos anos em Juiz de Fora, debaixo do Parque Halfeld. Ele conseguiu construir a sua casa antes do parque ser o que é hoje e com ajuda dos próprios trabalhadores em uma reforma da praça séculos atrás. Vive em paz na cidade que viu crescer e pode acompanhar cada passo.

Mas meu encontro com Douglas se deveu a uma queixa do vampiro. Outro dia, ele fora visitar Jaime na Mansão do Rio Vermelho e queixou-se de não ter a sua história contada por mim. Ele morando na mesma cidade que eu e eu primeiro contei a história do Frederich Augspartem.

Claro que Frederico, como prefere ser chamado no Brasil, é um vampiro muito mais velho e com muito mais coisas para serem contadas. Ele é alemão, viveu na Europa por muito tempo e depois resolveu construir a Mansão do Rio Vermelho e viver em paz. Quando a cidade de São Luiz começou a existir a coexistência do vampiro com a cidade não deu muito certo. (Em outubro o lançamento de “A MANSÃO DO RIO VERMELHO”)

Douglas vive em Juiz de Fora como eu disse desde 1850, data da fundação da cidade. Ele veio do interior do estado para uma cidade que parecia ser na época uma esperança de vida, emprego e prosperidade. Ele teve um infeliz encontro que o transformou no vampiro que é hoje.

Andei mais um pouco tentando gastar o tempo e esperando o sol se por. Esperava que ele me encontrasse.

 

Ele chegou. É lindo como a maioria dos vampiros. Perde para Frederico Augspartem, mas pode ser comparado a Lestat¹, ou mesmo ao Rahge². Douglas é alto com um metro e noventa, apresenta um corpo bem feito, sem músculos exagerados, com poucos pelos e uma pele de cor morena. Os cabelos estavam presos em um rabo-de-cavalo grosso nas costas demonstrando que o vampiro tinha muito cabelo. Seus olhos eram verdes, muito verdes e, quando excitado com alguma coisa ou com sede de sangue, brilhavam e se tornavam mais verdes.

Ele queria me assustar, mas eu estava preparado para recebê-lo. Apareceu no meio do mato onde estava mais escuro e me prometeu contar a sua história toda. Desculpei-me pela falha, mas eu não o conhecia. E ele me disse que vai me apresentar a muitos outros vampiros que moram nessa cidade.

Como estou contando meu encontro com o Douglas, isso significa que saí vivo do encontro com o vampiro. Somos amigos. Até quando? Não sei!

¹- Vampiro Lestat – Entrevista com vampiro, Anne Rice, 1976.

²- Rhage – Amante eterno – A irmandade da Adaga Negra – J.R. Ward, 2006.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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