O VAMPIRO MOR NA BIENAL DO RIO – Pão de Canela e Prosa
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O VAMPIRO MOR NA BIENAL DO RIO

Aqui estou eu: primeiro dia da XIX Bienal Internacional do Rio de Janeiro com as pernas reclamando por descanso e o corpo pedindo banho. Estou cansado e muito feliz de estar novamente envolto em tanta cultura, com tantos escritores dos quais sou fã e alguns que até me admiram um pouco.
Achei que seria ruim vir para a Bienal e não ter nem mesmo um livro solo para lançar, mas apesar de estar pronto, escrito, diagramado e com correção ortográfica, não foi possível publicá-lo. A editora que eu pensava ser minha casa não me permitiu publicar “A MANSÃO DO RIO VERMELHO 3”.
Enfim, eu vim para participar do lançamento de duas antologias no sábado “O MAL NUNCA MORRE” vol 1 e 2 e no domingo, “3:33 A HORA DO DEMÔNIO” e “APOCALIPSE”
Hoje foi o lançamento da primeira – considero duas porque são dois volumes e eu tenho um conto em cada um. Eu tive um prazer imenso de estar com vinte autores dessa antologia. Pessoas que eu conhecia e batia longos papos apenas virtualmente. Adorei quando cheguei e alguém disse: “Chegou o vampiro mor”. Abracei todos eles e foi muito bom estarmos ali durante duas horas falando do nosso trabalho para quem chegasse e quisesse conhecer. Os livros, ou o livro – existe a opção de livro único – está lindo. Bem acabado, com ilustrações dignas de aplauso e um cuidado fantástico.
Sair andando pelas ruas da Bienal é uma delícia. Alguns assustaram-se com meus olhos vermelhos, mas eu explicava que era só sede de sangue e daí a pouco passaria. Encontrei mais amigos. Neste ano, cinco membros da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora – LEIAJF – viemos, lançar livros, contar histórias, aparecer para o público que de alguma forma procura algo pra ler.
O escritor tem que mostrar o seu trabalho independente do retorno financeiro que almeja ter, normalmente terá esse reconhecimento depois de anos de trabalho árduo e de grande dedicação.
Mas, saí andando pelas ruas para encontrar amigos. Muitos de São Paulo não puderam vir, muitos do Rio tiveram outros compromissos e aqui não estão.
Somente em um evento como esse é que sentimos o nosso grande valor de ser escritor. Somos pessoas que conseguimos contar em palavras o que sentimos, o que pensamos, o que queremos que o outro saiba. O escritor consegue passar a sua emoção e fazer com que um leitor de outro continente sofra com seu relato.
Importante também em um evento como esse é perceber que temos muitos escritores nacionais muito bons. Há livros da literatura nacional que são iguais ou até mesmo superiores aos estrangeiros. Quem sabe disso? Poucas pessoas. Assim como a minha editora não quis investir no meu livro, a maioria prefere publicar grandes nomes internacionais e não arriscar com gente de casa. Mercado. Dinheiro. Cultura…
Enfim, em um dia eu pude rever e ver muitos amigos. Pude me sentir feliz de ser o “vampiro mor” de escritores espalhados pelo Brasil todo e ver que todos nós sabemos que temos muito que trabalhar porque nossos personagens, mesmo imortais – no caso os vampiros – vão morrer se tivermos soberba e não levá-los para nossos leitores onde quer que eles estejam.
Adorei estar na Bienal do Rio. Prometo que em São Paulo – 2020 – terei livro novo, vampiro novo, vampiro velho, muito ou pouco sangue, mas terei mais um trabalho para manter esse título de “vampiro mor”. Talvez vampiro mor somente por ter mais tempo de permanência entre os humanos que todis eles. Sei que todos os vampiros meus amigos estão juntos nessa longa sede de sangue e sucesso na carreira.
Agradeço a todos que me abraçaram, beijaram, sorriram pra mim no dia de hoje.
Amanhã tem mais. Acho que além dos olhos vermelhos com sede de sangue, quem sabe eu deixe mostrar também as presas?

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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