OVELHA NEGRA – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

OVELHA NEGRA

“Foi quando meu pai me disse, filha, você é a ovelha negra da família…”
Rita Lee cantava “Ovelha negra” e a gente sofria: éramos todos ovelhas negras, éramos todos errados – ou certos, não sei! O importante é que na época do grande sucesso, éramos todos adolescentes, adultos jovens, achando que quem estava sempre com razão, éramos nós.
É normal na adolescência, nessa fase de busca, de maior dúvidas, se pensar que está certo sempre! E se se está sempre certo, a família está sempre errada! “Eu sou a ovelha negra” todo mundo queria ser!
E aa festas de clube, ou melhor ainda as festas nas casas dos colegas, cada um levava um troço para comer e muitos levavam muita coisa pra beber. E a gente bebia, e a gente dançava, e a gente se divertia e sofria porque era a “ovelha negra da família”. Um bando de meninos e meninas que, naquela época, queriam namorar e, se desse, dar uns beijos. Não havia mais nada além disso e a esperança de que na próxima “festinha” o beijo iria sair.
“Agora é hora de você, assumir e sumir…” Ninguém assumia nada, ninguém sumia de lugar nenhum.
“Quando alguém está perdido, procurando se encontrar…” Estávamos todos perdidos, procurando nos encontrar sem saber que não estávamos perdidos e a vida iria seguir o curso normal de nossas escolhas. Nossa adolescência foi movida por músicas fantásticas, com letras lindas, cantores de grande valor.
Eu tenho muita saudade de épocas. Acredito que tive e tenho grandes momentos dos quais vou sempre me lembrar e sentir falta.
“Tire isso da cabeça, põe o resto no lugar…”
Tirar o quê? Colocar o quê? Em que lugar???
Meu Deus! Amo Rita Lee. Amo a fase da minha vida que foi acompanhada pelas suas músicas.
Eu sou a ovelha negra – de certa forma, essa loucura de não estar encaixado na mesmice, me fez ser diferente, ser o que sou! Sempre fui esse vulcão em combustão constante. Nunca gostei de “sombra e água fresca”.
Isso é ótimo!

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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