Pão de Canela e Prosa – Página: 2 – Onde as palavras têm sabor
Pão de Canela e Prosa

ESTANCAMENTE

Meu corpo, Na aura vibrante do infinito, Se excita em sonhos e desejos E se comprime e se cala… Meu corpo, No silêncio constante, depois do grito, Se confunde em carícias e beijos, Se torna macio, mas não fala… Meu corpo, Talvez por tornar-se um mito, Se encontra entre sons e harpejos, Na vibração da luz e tanta apagá-la. Meu...

O VAMPIRO MOR NA BIENAL DO RIO

Aqui estou eu: primeiro dia da XIX Bienal Internacional do Rio de Janeiro com as pernas reclamando por descanso e o corpo pedindo banho. Estou cansado e muito feliz de estar novamente envolto em tanta cultura, com tantos escritores dos quais sou fã e alguns que até me admiram um pouco. Achei que seria ruim vir para a Bienal e não ter nem mesmo...

OS TRÊS CACHORROS

Ele estava voltando de viagem e morrendo de saudade dos três filhos. Geraldo era caminhoneiro e varava o Brasil de cabo a rabo, mas desde que a mulher morreu no último parto, ele sofria cada vez que tinha que se ausentar de casa, como na última viagem que ficou cinco dias fora. Foi a São Paulo buscar uma carga de tecido para uma fábrica de...

OS ANOS TERMINADOS EM NOVE

Pode ser coincidência, ou talvez não, mas meus anos terminados em nove, todos que vivi nessa minha vida milenar, foram ruim. Uma situação de dor por uma perda qualquer, uma falência financeira, uma doença de alguém próximo, uma depressão profunda e insuportável, uma perda, uma perda… Todos os meus anos terminados em nove foram de...

PRESENÇA

Quem sabe um dia desses Olhando pra mim perceba Que eu era importante pra você? Quem sabe um dia desses Revendo fotos, objetos e sentindo minha presença Veja que eu era importante pra você? Mais você não percebe! E às vezes tenho medo da saudade Que ainda não senti… E que nem você sentiu algum dia por mim. Saudade do abraço...

O RETORNO

Voltando a pé, após correr com o Bolivar (meu amigo) de Lafaiete a Congonhas- 25Km. O sol estava quente, a pino, E o sentíamos bem mais escaldante… Os olhos ardendo no suor, Os cabelos revoltos no ar… Andávamos pela estrada Despedaçados de cansaço, calor, Fatigados da ex-corrida estendida, Atual caminhada de retorno… E eis...

TECO – O BOI VERDE – PARTE FINAL

Maurício, o neto de Geraldo, saiu da fazenda adolescente e foi estudar na cidade de Juiz de Fora. O rapaz com vinte e três anos fazia faculdade de administração e nunca mais pensou em voltar a viver na fazenda para tristeza da família toda. Vivia feliz e era um homem bonito, forte, com corpo musculoso de academia e muitas mulheres ao redor...

O BOI VERDE

Não me lembro mais quem criou o conto, mas lembro que contávamos sempre ele nas nossas rodas de conversa na faculdade há alguns anos. Era muito divertido e muita gente adorava. Enfim resolvi relatar “O caso do boi verde”. Era uma fazenda próspera com criação de gado e grande extensão de terra. O dono da fazenda, um gordo matuto por...