Pão de Canela e Prosa – Página: 38 – Onde as palavras têm sabor
Pão de Canela e Prosa

FRIO

  Frio! Frio! Frio! Frio como há muito tempo não fazia frio em Juiz de Fora. Eu, atravessando a avenida Rio Branco, correndo para ir para casa o mais rápido possível, deixei cair uma moeda que rolou pela avenida sem a mínima chance de eu pega-la. Parei do outro lado da avenida e tentando imaginar o que houvera perdido, sucumbi-me ao...

JARDIM BOTÂNICO (RJ)

  Verde, verde Verde, amarelo Verde, azul Verde, branco Olha o mico na árvore Verde, prata Verde, marron Verde, patos Verde, verde Olha a vitória-regia Verde, verde Verde, branco Verde, palmeiras Verde, vermelho Olha o orquidário Verde, roxo Verde, vermelho Verde, bromélias Verde de todas as cores Olha o Cristo redentor Verde...

ALCÉPIO

  – Alcépio Carlos de Jesus – chamei o meu próximo paciente. Levantou-se um casal, vestidos a contento, roupas de boa qualidade e senti o cheiro: – o último banho deve ter sido na época do Dilúvio. – O que está acontecendo, Alcépio? – perguntei ao rapaz de seus vinte e oito anos de idade. – Sabe, doutor, eu...

VIAGENS – I

  A melhor forma de viajar é, sem dúvida, chegar ao Galeão e pegar um avião. Pode ser para qualquer lugar! Sempre pensava nisso quando tinha que voltar de Conselheiro Lafaiete, onde nasci e moram muitos parentes ainda, fazendo baldeção em Barbacena nos ônibus da ÚTIL e TRANSUR. Foi assim que aprendi a viajar no banco próximo à...

SONHADOR

Chamaste-me um dia: – Sonhador! E eu, eu sonhava com castelos no ar, Com um puro e belo jasmim Que mostrava-me sempre o seu perfume…   Chamaste-me um dia: – Sonhador! E na mente eu esperava encontrar Um perfeito par, um doce amor, Um lindo dia, um beijo ardente…   E no meio destes meus sonhos, Havia luz, paz...

AS BRUXAS – TERCEIRO CAPÍTULO

Na mesa as velhas emanavam uma luz amarela que iluminava toda a casa. Continuavam cantando e falando coisas que JP não entendia muito bem. As velas tremiam com os gestos que as bruxas executavam para orar, para emitir alguma emoção mais forte. As taças foram repletas de vinho e água e Maria da Dores colocou as mãos por cima delas e as benzeu...

NADA POR FAZER

  De repente, quando não tenho nada por fazer E me entra pelos poros uma ansiedade qualquer, Eu ando pela casa, eu como, eu urino, eu bebo água, leite, chá, Ligo a televisão, boto um disco a rodar, ouço rádio, dedilho o violão E não me prendo a nada que faço, Talvez por divergência Entre a vontade e o fato, Entre o desejo e a...

AS BRUXAS – SEGUNDO CAPÍTULO

Quem chegou primeiro foi Maria do Rosário. Trouxe uma cesta de pão de queijo que estava matando a todos de vontade de comer pelo cheiro maravilhoso que impregnava tudo. Sorriu para a amiga e deixou a cesta na cozinha. Veio para a sala e sentou-se no sofá. As duas não trocaram uma palavra. Fazia parte do ritual da meia noite elas não...