PARA O BEM OU PARA O.MAL? É SÓ UM DETALHE! – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

PARA O BEM OU PARA O.MAL? É SÓ UM DETALHE!

Quando algum aluno me procura e me pede ajuda para realizar um trabalho científico, uma pesquisa, qualquer tema que seja, eu estou sempre disposto, sempre de braços abertos para ajudar, mesmo que seja para provar “que Kiwi é cor-de-rosa”. Não interessa muito o tema, interessa o desejo daquela pessoa de fazer algo pelo seu conhecimento e aprendizado – e posso dizer também para o meu conhecimento e aprendizado -, mas eu nunca vou contrapor a uma ideia de querer fazer mais e melhor.
Por que estou dizendo isso?
Porque na vida a gente encontra muita, mas muita gente mesmo, que não quer fazer nada – dá trabalho -, não quer ajudar ninguém a fazer – pelo contrário, critica quem faz -, não sai de sua zona de conforto nem para pensar um pouco fora da gaiola que o mantém preso ali.
Sempre gostei muito de ler, escrever, estudar, pintar, fazer arte – essa última em todos os sentidos – e sempre ouvi pessoas que tentaram me demover do caminho escolhido.
Houve quem me disse ainda no ensino básico:
_ Não sei pra que você escreve. Acha mesmo que vai virar escritor um dia?
Continuei escrevendo muito e guardando tudo que escrevia para o futuro. Não me interessava a opinião alheia.
_ Fica aí gastando dinheiro com tela, tinta e pincel. Tem que lembrar que é pobre e não ficar gastando dinheiro atoa.
Pois é! Continuo pintando bastante e gosto do que faço, uma pintura sem um academicismo austero e rígido. Pinto o que me enche os olhos e a alma.
Sempre adorei estudar línguas estrangeiras. Desde os doze anos estudando inglês e francês, hoje com a Língua Pátria, me comunico e muito bem em cinco idiomas.
_ Fica aí estudando inglês, pra quê? Vai virar peão da Açominas mesmo. Pobre tem que trabalhar e não ficar inventando moda.
Continuei meu caminho estudando, quase sempre sozinho, realmente a condição financeira não permitia fazer cursos extra e nem havia nada que eu quisesse fazer na Lafaiete da minha adolescência. Talvez por isso, quando fui para Juiz de Fora estudar, eu tenha me mudado de vez da terra natal.
Passei no vestibular sem fazer cursinho preparatório, não quero me gabar disso, mas ou eu estudava e passava ou não mudaria de vida. Não tinha como pagar um cursinho e morar em outra cidade. O custo seria impossível para meu pai. Vim para Juiz de Fora fazer faculdade e isso gerou uma reação familiar interessante – sem detalhes – eu fui o primeiro a fazer uma faculdade na família. Pior! Faculdade de Medicina! Pessoas simples acham que existem somente três faculdades importantes, o resto é bobagem e perda de tempo.
Para ajudar na despesa, passei a partir do quinto período a dar aulas de italiano – que aprendi depois que cheguei à Manchester Mineira – e outras aulas particulares de matemática e física.
Formei em Medicina. Festa na antiga Queluz de Minas. Festa na família. Alguns acharam muito bom. Outros não sei. Entre amigos verdadeiros uma grande alegria, inveja e outros sentimentos.
Achei que estava tudo bem, residência e trabalho excessivo. A faculdade dourada te oferece uma vida muito boa, um rendimento muito bom, desde que você deixe de ter vida e se entregue de corpo e alma ao “Sacerdócio da Medicina”. Respirar outra coisa não dá!
Parti para o mestrado anos depois e a escolha tinha que ser a UFMG que era o único lugar que oferecia esse tipo de curso onde o aluno pode fazer um dia por semana e continuar se matando de trabalhar nos outros dias.
Claro que ouvi a pergunta:
_ Não vai parar de estudar não? Tem que trabalhar. Ficar só estudando não dá futuro.
Muito bem. Depois de alguns anos, concluí o mestrado e contra todas as adversidades, também o doutorado em cirurgia geral.
Agora, minha vida não permite que ninguém mais tente me fazer desistir dos vários caminhos que abri para seguir. Hoje eu sou médico, cirurgião, doutor em cirurgia – desisti de fazer pós-doutorado por mim mesmo -, professor universitário, escritor, pintor e o que mais eu quiser. Vou continuar estudando porque eu sei que não sei nada. Eu preciso continuar estudando, e aprendendo, e buscando mais, e ensinando, e escrevendo, e lendo, e fazendo tudo o que eu quero fazer da minha vida. Não há quem me faça desistir de um objetivo ou de um sonho. Ainda sou muito pequeno e estou muito longe daquilo que desejo ser.
Penso muito em uma frase do Jean Cocteau “Não sabia que era impossível, foi lá e fez”. Foi isso que fiz na vida? Saí derrubando aquilo que me impunha limites? Não sei!
Se colocamos empecilhos naquilo que queremos, jamais faremos.
Sempre digo aos meus alunos que estou pronto para ajudar a fazer qualquer coisa. E levo comigo quem quiser vir junto, pro bem ou pro mal – isso é outro detalhe!

Sobre o autor Ver todas as postagens

Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados *