RAINHA ELIZABETH II – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

RAINHA ELIZABETH II

O escritor é mesmo um louco?
digo sim, com alegria,
o que criamos é pouco,
a vida é nossa euforia
Artur Laizo

Eu queria convidar a Rainha Elizabeth II, para passar uns dias na minha casa em Juiz de Fora.
Devo dizer que eu adoro a família real inglesa e gostaria muito de conhecê-los e conviver com eles por algum tempo. A Rainha – minha preferida da família – é uma pessoa que admiro muito. Acho que ela é fantástica e, por isso mesmo, está no poder todos esses anos. Ela é a mais importante de todos os membros de qualquer família real no mundo atual.
Passei um tempo em Londres em 2013 e, infelizmente, não a vi em dia nenhum. Não entrei no Palácio de Buckinghan Acho que ela estava viajando por todo esse tempo.

Às vezes, brinco em casa que vou convidar a “Bethinha” para tomar um café, ou comer alguma comida que eu gosto muito. Fico imaginando de repente, ela Sua Majestade aceita o meu convite e vem se hospedar no meu apartamento no Centro de Juiz de Fora para ficar uns dez dias.
A minha preocupação:
_ Será que a Rainha gosta de comer ovo frito com pão no café da manhã?
Não seria um “FULL BREAKFAST”, mas pão francês, manteiga, ovo estrelado e café preto sem açúcar. Eu adoro um desjejum inglês com tudo aquilo que é servido: torradas, baked beans (feijões em um molho de tomate adocicado), ovos, tomates, cogumelos fritos, linguiças, bacon, black pudding (um salsichão feito de sangue e aveia), hash browns (batatas raladas e fritas) e uma bebida quente, (chá ou café).

E no almoço? Sirvo o quê?
Meu prato preferido é, sem dúvidas, frango com quiabo e angu de fubá grosso, mas gosto também de um molho pardo. Será que minha Rainha já comeu quiabo? Será que vai gostar do nosso arroz branco?
Posso eu fazer um “penne a minha moda” e lhe oferecer um babador xadrez para usar sobre seu lindo vestido? Comeríamos um “bello gnocchi” com um vinho especial chileno e conversaríamos de famílias e filhos? O que ela me contaria dos filhos e netos?
Depois do almoço, será que ela gostaria de sair no meu carro para dar uma voltinha pela cidade? Eu iria levá-la para conhecer o Campus da UFJF primeiro. Dava até para a gente dar uma caminhada ao redor do lago conversando sobre política internacional ou sobre viagens interplanetárias. Depois disso, claro, iria levá-la para ver toda a cidade do mirante do Morro do Cristo. Eu teria que me lembrar de levar moedas para colocar nos binóculos de observação. Acho que ela iria gostar de ver esse monte de morros de Minas Gerais que Juiz de Fora ostenta.
De volta ao meu apartamento, uma coisa que não poderia faltar era levar a Rainha para caminhar pelo calçadão da Rua Halfeld.
A Rua Halfeld é a rua mais frequentada pelo povo da cidade. Ali se encontram diariamente, pobres e ricos, analfabetos e grandes sábios, artistas de todas as espécies, loucos, não-loucos e normais. Adoro o calçadão. Imaginem a minha alegria em descer e subir algumas vezes, naquele mundo de gente, acompanhado da Grande Realeza. E aos amigos que encontrasse, teria a maior honra de apresentar a minha mais querida hóspede.
Novamente em casa, depois de tanto passeio ao ar livre, teríamos que comer alguma coisa. O que eu serviria? Um chá mate, ou chimarrão, das cinco, ou um lanche da tarde com pão e mortadela? Precisaria achar a mortadela perfeita, de preferência, aquela que eu comia na infância, algumas vezes frita, mas que era comprada na venda da esquina, barata e de gosto forte. Hoje em dia não se faz mais mortadela tão boa no Brasil.
Acho que também poderia oferecer para ela uma broa de fubá com erva doce, pão de queijo e goiabada. Será que ela vai gostar dessa estadia?
Eu estava pensando no que ofereceria no dia seguinte quando ela –ela mesma -, sentada no meu sofá da sala, pegou o seu celular e com um belíssimo “British Accent” ligou para o Willian.
_ Meu neto querido, você precisa vir ao Brasil. Pretendo ficar nessa casa do meu amigo Artur por mais um mês. Você vai adorar tudo aqui. Ah – ela sorriu ante o meu susto, – traga Kate e as crianças. Eles vão adorar comer pastel com caldo de cana na feira de domingo.
Eu ri, ela estava ali mesmo e eu já sabia onde levar a minha rainha querida para passear no domingo de manhã.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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