RESENHA – VEREDAS – MÁRCIO VERDOLIN HUDSON – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

RESENHA – VEREDAS – MÁRCIO VERDOLIN HUDSON

VEREDA foi o segundo livro que li em 2017. Confesso que me apaixonei pela trama e pelo português rebuscado do autor. É uma história simples e ao mesmo tempo bastante complexa quando vimos o lado psicológico das pessoas envolvidas na trama. Não dá para parar de ler o livro.

O AUTOR: Márcio Verdolin Hudson é formado pela Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete – MG, cidade onde nasceu. Ali foi cronista e radialista pela Rádio Carijós. Concursado, foi admitido no Banco do Brasil, no qual exerceu cargos em Araçuaí, Conselheiro Lafaiete, Itabirito, Brasília e Belo Horizonte até aposentar-se. Exerceu a advocacia e atualmente dedica-se somente à literatura. Reside em Belo Horizonte. Ocupa a cadeira número 12 da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, cujo patrono é o romancista Bernardo Guimarães.

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RESENHA: A história se desenrola em 96 capítulos ora grandes, ora pequenos onde o autor nos conta uma passagem da vida de Lima. Lima é um advogado que mora em uma cidade grande, casado e pai de um filho. Em dado momento da vida, Lima resolve voltar à cidade do interior onde anos atrás o pai começara a construção de uma estrada. A estrada na realidade desde o seu nascimento era fadada ao insucesso devido à localização junto a uma encosta de uma serra.

Lima, certo dia resolvera percorrer esse início da estrada que o pai abrira há trinta anos. Iniciou o caminhada a pé observando a precariedade da estrada. Habitações rurais pela estrada chamavam-lhe a atenção. Em dado momento, avistou uma casa simples, com plantações de milho e feijão e do outro lado um pasto com algum gado e um cavalo. Com sede, Lima resolveu ir até à casa e foi interceptado por uma cabra que o derrubou no chão cheio de lama. O dono da casa solícito veio-lhe ao encontro e ofereceu ajuda. Com as roupas sujas e ainda com sede, aceitou o convite do camponês para ir até sua casa. Augusto, o dono da casa, morava com a esposa, a sogra, uma filha, uma neta e um filho adotivo. O advogado Lima aceitou tomar um banho na casa do camponês enquanto a filha, Graça, lavava e passava a roupa suja de barro pela queda. Envolvido pela gentileza da família, Lima fica no barraco e, depois de mandar buscar seus pertences no hotel onde estava hospedado, acaba permanecendo por mais de trinta dias. Nesse período conhece muitas pessoas do vilarejo próximo e acaba sendo criado um mistério a respeito da época da estada do seu pai no local. Alguns disseram que o Empreiteiro Lima, pai do advogado Lima, deixara para trás uma raminha, uma coisa qualquer que, a princípio Lima não quis saber, mas não saía de sua cabeça. A tentativa de descobrir qual o elo que une a vida passada de seu pai àquele povoado, faz com que ele passe a viver de uma maneira totalmente diferente do seu cotidiano.

A história é recheada de citações de frases em latim de poetas e oradores romanos e alusão aos deuses da mitologia. Apesar de ser um povo do interior, a maioria entende desse assunto, de arte, literatura e sabem como conversar com o advogado ou com um velho reitor aposentado que resolvera morar também no vilarejo.

A trama se desenvolve de uma forma espetacular. O português rebuscado, tendendo a um período anterior à nossa literatura moderna, não impede que o leitor se delicie com esse livro.

Vale a pena ler: VEREDA – MÁRCIO VERDOLIN HUDSON.

Editora O Lutador – Belo Horizonte.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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