SILÊNCIO! ESCURIDÃO! – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

SILÊNCIO! ESCURIDÃO!

A gente passa o dia cheirando tudo,
Experimentando tudo para ver se tem gosto.
A dúvida, sempre a dúvida…
O corpo dói,
Não é pela falta de exercícios,
Não é pela inatividade,
Talvez seja pela adnamia,
Pela falta de energia…
Calor, frio, calor… Febre?
A gente mede a todo tempo,
O termômetro mostra o valor,
A gente não acredita.
Será que o paladar continua?
A gente come outra coisa…
Enjoos, mal estar, náuseas…
O corpo todo responde à infecção,
Mas responde mal.
O intestino desarranja e o enjoo continua.
Levantar o braço para pegar alguma coisa…
Mudar o canal da TV que está ligada…
Dói!
Aliás, o que passa na televisão não interessa.
A gente desidrata,
Tomar água também dói,
A garganta dói.
Respirar está difícil,
O ar não entra, o ar não sai,
A mente está na corda bamba
Entre a lucidez e a escuridão…
A luz presente incomoda os olhos,
A gente fecha os olhos,
Sente que alguém tenta ajudar…
O ar extra que entra pela boca, nariz,
Não chega onde deve chegar…
Os sons começam a não fazer sentido,
Parece que estão mais baixos,
A dor, no braço, uma espetada ruim, queimação,
A dor no corpo,
A sensação de morte, as luzes, os sons…
Todos diminuem
Quando um cano imenso
Entra pela boca a caminho da traqueia.
Silêncio! Escuridão!

                  

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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