SÓ – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

Sinto-me só! Não que o pudesse, mas penso no seu corpo. Rolo mentalmente, abraçado a você, lambuzamo-nos de sexo e quero a todo esforço encontrar prazer no seu corpo, nos seus pelos, nos seus lábios, no seu sexo…

Sinto que temos abismos entre o que de mais belo poderia acontecer conosco. Sei também que o que de mais forte nos separa é talvez, a nossa própria consciência acostumada como o “deve ser feito assim” do mundo atual, presos, talvez, a preconceitos e costumes que distorcem  esmagam os nossos mais sublimes desejos.

Eu queria que você estivesse agora aqui comigo. Poderíamos até mesmo ser um pouco felizes nos amando nesta tarde chuvosa e fria. Só o fato de ficarmos um pouco juntos, falando da vida, contando lorotas, fazendo fofocas, perdidos em sonhos, em viagens fantásticas, mostraria uma compensação para estarmos acordados e com os pés no chão nesse dia.

Um dia, nos encontraremos. Eu na minha, você na sua vida. Cada um para o seu lado. Será assim como um entardecer que reúne suas aves. Nossas vidas nos reunirão e nos farão acreditar que podemos ser livres para fazermos aquilo que desejamos há muito tempo. Imagino como será: nos encontraremos, nos abraçaremos, roçaremos os nossos corpos, os nossos sexos e partiremos para mais uma viagem no mundo dos nossos sonhos, como sozinho aqui no leito, tantas vezes pensei e desejei nos ver nus, nos enrolar e atingirmos o máximo do prazer, sem nos importar se lá fora chove ou faz sol, se há liberdade ou não para o nosso ato, se estamos certos ou errados…

Sei lhe dizer, meu amor, que na verdade somos loucos, eu mais que você, mas sonhamos coisas reais que poderão dar um sentido maior a nossa existência.

 

Maloca Querida, 1998:29-30.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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