VIAGENS VIII – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

VIAGENS VIII

É do conhecimento do todos que eu sempre adorei viajar de avião. Aliás prefiro tanto o avião ao carro que demorei bastante para tirar carteira de motorista, não por incapacidade, mas por desinteresse no objetivo principal da vida de todos os adolescentes: um carro.

Ao viajar pelas estradas sempre dizia, parafraseando todo mundo, que preferia um Mercedes com motorista, o problema são os outros quarenta e tantos lugares. Mas como eu sempre dormia, não fazia diferença.

Claro que naquela viagem de avião que eu fazia do Rio de Janeiro para Juiz de Fora, eu não dormi. Olhar o mundo por cima é muito bom. Passar pelas nuvens, subir mais alto que todos os pássaros, sensacional.

Vinha eu então, na minha viagem aérea, louco para chegar a Juiz de Fora – a gente sempre está louco para chegar -, passando por lugares lindos e iluminados em um voo tranquilo e ótimo, quando avistamos Juiz de Fora.

O avião foi perdendo altura, perdendo altura e os prédios da cidade aumentando de tamanho. Que experiência maravilhosa ver aquilo tudo por cima. Eu podia sentir a cidade respirar.

O avião inclinou-se mais para descer e voando rápido demais parecia uma flecha que era arremessada contra a avenida Barão do Rio Branco em pleno meio dia. Não havia como pará-lo. Não havia mais o que fazer. A gente iria se espatifar no asfalto perto da rua São Sebastião. Eu senti a cidade parar de respirar de medo.

Eu retesado no assento, esperava o derradeiro final. Olhei pela janela e me vi – de ônibus -, chegando a Belo Horizonte. A visão das lojas da Avenida Raja Gabaglia me fez abandonar o sonho. Localizei-me no banco do veículo e, com medo de ter gritado, continuei olhando pela janela, descontraindo cada músculo.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor.

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