DIÁRIO DO CONFINAMENTO – 18 – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

DIÁRIO DO CONFINAMENTO – 18

DIÁRIO DO CONFINAMENTO – 18
Dia 1º de maio de 2020
D 45

Mundo:
Confirmados: 3.276.373; Casos recuperados: 1.024.529; Mortes: 233.998
Brasil:
Confirmados: 87.364; Casos recuperados: 35.935; Mortes: 6.017
Minas Gerais:
Confirmados: 1827; Mortes: 82

1º de maio – dia do trabalho
Exatamente esse ano ocorre o maior índice de desemprego mundial. Está tudo fechado e tudo incerto. O nível de expansão da pandemia continua imenso e mesmo países que achavam que estava na hora de relaxar o confinamento, viram que o aumento de contaminação e mortes não permite abertura de nada ainda.
Aquilo que venho falando desde o início da pandemia, foi corroborado ontem em uma mesa redonda de repórteres e um deles afirmou: “Quem quer abrir o comércio, quer colocar o funcionário na linha de frente para atender e ganhar dinheiro para o patrão que continuará confinado, sem prejuízo, sem se contaminar”.
Estamos em casa! Poxa! Feriado, vamos ficar em casa! Vamos! Como ficamos ontem, antes de ontem, amanhã, depois de amanhã… até quando? Não sei!
Ocorrem homenagens aos médicos, profissionais da saúde de todas as áreas, garis, motoboys, faxineiros, a todos aqueles que não paramos para que todos parem. Essas homenagens estão lindas! Será que vão continuar depois da pandemia? Será que todos vão continuar cumprimentando o porteiro. Será que vão passar a acreditar que muitos profissionais necessários também são humanos?
Espero que estejamos melhores e mais grandes que sofridos depois da Pandemia.
Não é, infelizmente, o que estamos vendo já, no meio do furacão. Ainda há um bando de ignorantes – não sei que outro termo usar – que brincam com a doença, se arriscam por bobagens, recusam-se a usar máscaras, recusam-se a manter o confinamento. Há pessoas que são tão obtusas que apoiam esse ou aquele lado da política e seguem cegamente, sem procurar se informar melhor, o seu ídolo. Como ratos, muitos ainda seguem o flautista de Hamelin.
Esse é um grande dom do ser humano: conseguir invadir a mente alheia e fazer com que o outro coma excrementos achando que é um pitéu, fazer com que o outro mate, faça algum mal, acredite em qualquer coisa inimaginável. Existem pessoas perigosas que lideram grandes massas e a História está cheia desses exemplos.
No Brasil, os índices sobem. Vários Estados da nação estão em caos na saúde. Em várias cidades abrem-se milhares de covas, em outras, enterram-se corpos em valas comuns e há milhares de brasileiros que afirmam que isso é manipulação da mídia. Sinto muito. Devem ser essas mesmas pessoas que estão jogando por aí, máscaras e luvas usadas erroneamente – já falei a respeito -, lixo pela janela do carro, lixo nas ruas…
Solução? Não sei! Como médico, não sei! Não sei ainda, se os um milhão de recuperados – comemorou-se hoje esse valor – estão mesmo imunes ou não vão sucumbir de vez em uma segunda infecção.
O governo federal continua elocubrando e entrando em brigas com os governos estaduais. Estes, por sua vez, alguns mais duros, outros menos, sofrem a superlotação do sistema de saúde – norte e nordeste principalmente -, sofrem o aumento dos números drásticos. Há uma disputa de egos nos políticos que estão à frente do governo federal e merda e mais merda a cada dia, a cada pronunciamento. Gente assustada por todos os lados. Gente neurótica piorando pela solidão, gente que não é e está começando a apresentar sinais de alterações emocionais e psíquicas. O povo está sofrendo a doença, está sofrendo o confinamento, está sofrendo por falta de emprego, de dinheiro, de comida… O povo do mundo está sofrendo e o povo brasileiro está sofrendo, está morrendo, está completamente perdido sem saber o que fazer.
O que esperar? Quando se tem alguém na família doente pelo vírus, é diferente! Meus familiares que estão com suspeita e com exames positivos estão bem. Tenho mais pessoas no grupo de risco? Sim! Estou trabalhando e me expondo também a riscos? Sim! Claro! Mas faz parte da minha profissão correr riscos. A gente se protege, usa EPIs, mas algumas vezes tudo foge do controle. Quantos colegas estão contaminados em Juiz de Fora? Muitos. Vários com sintomas leves. Quantos colegas estão graves e quantos morreram e ainda morrerão? Quantos ainda vão sucumbir a essa pandemia?
Só a crença em um Deus que não faz por nós, mas que nos dá inteligência e subsídios para fazer, pode nos incitar a querer continuar.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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