NÃO HAVIA NADA! – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

NÃO HAVIA NADA!

Quando abri meus olhos,
Não vi nada à minha frente.
Havia um abismo,
Havia um silêncio,
Havia uma escuridão tão grande…
Olhei para baixo,
Não havia fundo naquele buraco imenso,
O silêncio era ensurdecedor
E nem meu grito de desespero
Foi ouvido.
Eu não via nada
Porque nada havia para ver.
Eu estava sozinho,
No meio do nada,
No meio da rua,
Mas não havia rua,
Não havia calçada,
Não havia carros,
Pedestres,
Ônibus,
Animais,
Som,
Luz,
Cor,
Não havia nada!
Eu estava ali sozinho,
Sem ar,
Sem chão,
Sem uma parede para me encostar,
Eu estava nu,
Eu estava bem,
Não havia frio,
Não havia calor,
Não havia vergonha,
Não havia sexo
Porque não havia mais ninguém…
Não havia ninguém,
Nem mesmo eu!
Não havia nada!

            

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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