CARNAVAL 2022 – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

CARNAVAL 2022

“Quanto riso, oh,
Quanta alegria,
Mais de mil palhaços no salão…”

Eu adoro Carnaval. Sempre gostei muito daquele Carnaval de clubes, onde, fantasiados, dançávamos a noite toda. E o Carnaval de rua, igualmente ótimo. Gosto de Carnaval e isso se deve à minha mãe que também adorava e, provavelmente, vinha de seu pai – esse eu não conheci. Eu adorava passar as noites e tardes no Clube e nos intervalos nas ruas de Conselheiro Lafaiete, atrás de blocos sujos. Eu adorava o “PÃO MOLHADO”. Um bloco que trazia para a avenida um pão da largura da rua molhado, normalmente de cachaça e o povo dançava ao redor e atrás até às 18:00 da terça-feira quando as placas de protesto sumiam e aparecia a placa: “GUERRA DE PÃO”. Guerra deliciosa, quem não conseguia pegar um pedaço do pão do bloco, jogava papel molhado, água, enfim era uma alegria só.
À noite, eu levava minha mãe e irmã para o Clube Santa Cecília e a gente dançava até de manhã. Meu pai, por odiar Carnaval, ficava em casa com raiva de todos.
O Carnaval evoluiu – ou regrediu – e hoje não tem mais bailes familiares em clubes. A rua, nas cidades grandes, existem desfiles de Escolas de Samba, nas cidades menores, as manifestações terminam em briga e muita violência. Acabou o Carnaval gostoso de outros tempos?
“Mais de mil palhaços no salão…”
Quem são os palhaços hoje em dia? Independente do Carnaval, estão nos fazendo a todos de palhaços. A política nacional e a política estrangeira, não têm mais respeito pelo ser humano. Hoje tivemos a confirmação da invasão da Rússia na Ucrânia. Muita gente inocente vai morrer e a gente pode se perguntar “Por quê?” Acho que não tem muita explicação a não ser a satisfação de um ego cego e genocida. É a destruição de Petrópolis, difícil de aceitar tantas mortes. São os conchavos políticos, gastos indevidos do Governo, propaganda antidemocrática e antivacina.
A pandemia ainda não acabou, as pessoas ainda estão adoecendo, mas existe a campanha contra o cuidado, contra o uso de máscaras, liberação de aglomerações, enfim, quem são os “mais de mil palhaços no salão”? Precisamos todos refletir muito sobre isso tudo e ver o que está acontecendo no Brasil e no mundo.
Ainda precisamos vacinar muita gente. Ainda precisamos vacinar as crianças. Pais retrógrados, iludidos e sem conhecimento correto, expõem seus filhos à doença castrastrófica do século XXI. Por quê? Temos tantos “por quês” e poucas respostas.
Como seria bom se a guerra da Ucrânia fosse uma guerra de pão molhado em um baile de carnaval de rua e ninguém saísse ferido ou morto. Como será bom quando tivermos todo mundo vacinado e pudermos novamente andar sem máscaras e abraçar todos que amamos. Melhor, como será bom sabermos que não vamos perder quem amamos para a Covid-19.
Pandemia, guerra, fome, desemprego, violência… Acho que teremos o pior Carnaval de muito tempo.
“Quanto riso, oh,
Quanta alegria…”
Que continuemos tendo alegria, que continuemos vivos, que tenhamos saúde.
Contra a guerra da Ucrânia.
Vacina já!
Atenção às eleições de outubro!
“Foi bom te ver outra vez…”
Espero ver todos vocês daqui a algum tempo, saudáveis e bem.
Em paz!

Música: Máscara Negra. Composição: Pereira Matos / Zé Kéti (1967).

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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