DIÁRIO DO CONFINAMENTO – 17 – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

DIÁRIO DO CONFINAMENTO – 17

Diário do confinamento 17
42 dias – 28 de abril de 2020

Mundo
Contaminados: 3.016.571, mortes: 210.618
Brasil
Contaminados: 66896, mortes: 4555
Minas Gerais:
Contaminados: 1586; mortes: 62

A saga – ou eu deveria chamar de distopia – continua. Não sabemos o que acontecerá amanhã com cada um de nós. Não sabemos o que acontecerá com nosso mundo amanhã. Nem com nosso país amanhã. Nem com nossa cidade amanhã. Pior, nem com nossa família amanhã. O futuro! Será que teremos futuro? Será que nossos filhos, netos… Será que teremos filhos e netos para povoar esse mundo? Será que sobreviveremos? Não sei! Não consigo saber.
Acredito na humanidade! Acredito que Deus – aquilo que você acredita como força maior – nos deu capacidade de fazer e acontecer nesse mundo. Ele nos deu permissão para criarmos – e matarmos também -, para construir e destruir, para escolher. E, através de nossas escolhas, seguir em frente.
Estamos no meio da terceira grande guerra. Estamos guerreando contra um inimigo invisível e traiçoeiro. Vai matar a todos nós? Claro que alguns poucos sobreviverão para repovoar esse mundo como já aconteceu outras vezes.
O que o governo está fazendo? Merda! O que o povo está fazendo? Merda! Onde estamos vivendo? Na merda? Ainda não. Mas estamos caminhando na contramão? Trocas de ministros estão acontecendo. A população no geral continua dividida entre governo e oposição. Acho que ainda não acordaram para a realidade mundial: a guerra é entre seres humanos e doença. Não existe mais partido político nesse assunto.
Fica mais difícil pensar quando se tem pessoas da família contaminadas, correndo riscos de complicações sérias e morte. Dizem tanto na mídia que fica pior quando acontece na família. Eu esperava não passar por isso. Mesmo trabalhando na linha de frente, no CTI do hospital, eu esperava que minha família não fosse acometida. Pessoas que eu amo muito estão contaminadas. Risco existe para todos nós.
E o que está acontecendo no país? Morte e mais morte! O norte precisa de urnas funerárias e médicos e enfermeiros e profissionais de saúde de todas as áreas. O nordeste abre covas e valas comuns. O sudeste, principalmente o Rio e São Paulo depositam corpos em caminhões frigoríficos e o exército mapeia cemitérios disponíveis. Obras aceleradas em alguns cemitérios constroem gavetas aos milhares para receberem corpos.
No jornal, famílias destruídas, pacientes sem condições de receber qualquer apoio médico porque não há vagas, não há ventiladores, não há tempo hábil para esses doentes receberem qualquer tratamento.
Estamos no meio do tiroteio. A humanidade está entre morrer de fome ou morrer de infecção pelo vírus. Trabalhar? Novamente eu digo, se todos tiverem condições de proteção para trabalho, ótimo! Não podemos abrir o comércio e colocar o funcionário que vai trazer dinheiro para o patrão que está protegido no confinamento de seu lar. Tudo igual para todos?
Médicos, enfermeiros e técnicos, fisioterapeutas, farmacêuticos e tantos outros profissionais de saúde, policiais, bombeiros e todos que cuidam da nossa proteção, profissionais que, nas ruas mantém nossa cidade como os garis, estão correndo riscos que nem imaginamos.
O dia está claro. O sol resplandecente. Há aves no céu, peixes nos rios e mares, flores mil, mas o inimigo está à espreita. Está de olho! Estamos correndo riscos.
Que Deus continue nos dando clareza para ver uma saída!

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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