DIÁRIO DO CONFINAMENTO – D 10 – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

DIÁRIO DO CONFINAMENTO – D 10

Diário do confinamento – D 24

O dia amanheceu nublado. O dia pede um dia de recolhimento: Sexta-feira da Paixão de Cristo. Eu me lembro, quando era criança, que minhas avós comentavam que nesse dia não se podia fazer nada. A mulher, dona de casa, costumava deixar inclusive almoço pré-preparado para não ter que fazer muito no dia da Paixão. Não comer carne, continua até hoje entre as famílias cristãs. Naquela época ainda, os carros não buzinavam no trânsito, não se ligavam rádios ou televisões. Enfim, um país espiritólico como era o Brasil, tinha que sofrer a dor da crucificação do Filho de Deus. Ainda havia a procissão do enterro (sepultamento) onde as pessoas acompanhavam constritas, em silêncio, grande parte em jejum a longa distância que levava o corpo de Cristo para o seu sepulcro. Minha mãe reclamava que a procissão terminava muito tarde.

Hoje, exatamente dia 10 de abril de 2020, estamos com uma sexta-feira silenciosa, escura, pouca gente na rua e pouco trânsito. Pouca gente na rua hoje, graças a Deus, devido ao confinamento pela pandemia do Coronavirus. A população que ontem relaxou um pouco a quarentena e foi pras ruas – até o presidente foi tomar um refrigerante em uma padaria pública -, hoje está em casa. É feriado! Muita gente que hoje deixou de ser espiritólica, espírita ou católica, pensa que é feriado e é dia de ficar atoa, fazer churrasco, tomar cerveja – ops! Hoje é Sexta-feira Santa. Isso importa? Ou o importante da Semana Santa é o Domingo de Ovo de Páscoa. Claro, porque quase ninguém lembra o motivo do Domingo final da Semana Santa. Deixa pra lá!
Eu disse que o Presidente, ontem, foi tomar um refrigerante na padaria. Gentil, ele cumprimentou todo mundo pegando na mão, abraçando… Uma coisa que provavelmente, ele não faria em dias normais. Hoje, ele voltou a “passear” pela cidade entre padaria, farmácia e outros lugares… Esse ato contraria as decisões mundiais de confinamento para prevenção da doença.
Ainda no âmbito do Governo, o Ministro da Saúde continua seu árduo trabalho para evitar o caos na rede pública de saúde. Apoiado pelos governadores dos estados, o país está confinado. Estamos de olho na evolução da doença.
No mundo, são mais de 100.376 mortes. No Brasil, 941 mortes em 17.857 casos confirmados. Em Minas Gerais, hoje, temos seiscentos e noventa e oito casos confirmados e cinquenta e sete mortes. Em Juiz de Fora hoje, temos sessenta e sete casos e uma morte. Estamos nos cuidando? Acho que, apesar desse furo crescente no confinamento, a população está se cuidando e isso é o importante.
Sexta-feira Santa! Hoje é dia de rezar! Dia de pedir a Deus que nos dê paciência para aguentar ficar em casa. Que Ele nos dê esperança de um dia melhor, nos mostre a luz no fim do túnel.
Hoje eu vi, em frente à minha janela, uma fila de pessoas em uma loja de chocolate: – ovo de Páscoa é necessidade básica, mesmo com o preço ridiculamente exorbitante.

Acompanho nos jornais o índice de disseminação da pandemia e cada vez me assusto mais. A situação não está boa. Não podemos ainda relaxar a precaução.
Prevenção é tudo!
Que nessa Sexta-feira Santa, tenhamos tempo para refletir e crescer. Que possamos tirar desse recolhimento substância para nosso engrandecimento interior. Que possamos acreditar mais em Deus, sem esquecer nunca, que tudo que temos, fazemos e sofremos é culpa nossa! A vida é feita de escolhas e, como sempre digo, Deus nos dá condições de fazer tudo, para o bem e para o mal. A escolha é SEMPRE nossa!
Que fiquem todos com Deus!
Que Ele nos dê forças e condições para vencer mais essa fase.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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  • Como sempre palavras bem colocadas dentro da realidade que estamos vivendo. Realmente dias difíceis, tristes e nebulosos. E como bem colocado somente Deus no amparo. Força e fé a você que está à frente desta batalha.

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