FEIRA LITERÁRIA – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

FEIRA LITERÁRIA

Aí, antes de ver se a Pousada onde eu me hospedei em Tiradentes, poderia me emprestar uma taça para eu tomar um vinho no quarto antes de dormir, eu comentei em um restaurante onde fomos jantar na sexta-feira, segundo dia da Feira Literária, que eu precisava comprar uma taça.. A linda e educadíssima garçonete, me disse que iria ver com a gerente do local se poderia me emprestar nem que fosse um copo comum “Nadir Figueiredo”.
Rimos todos e eu pedi antes da primeira pizza, um chope de 500mL.
Estávamos na mesa seis pessoas e todos com fome e sede de um dia de trabalho intenso na FLITI.
Participar de uma Feira Literária é algo bastante cansativo e desgastante. Você tem que ficar no seu estande vendendo o seu livro por muito tempo. E isso é importante: VENDE LIVRO O AUTOR QUE ESTÁ PRESENTE!
É muito complicado ter um sorriso nos lábios e uma grande paciência para quem entra no seu espaço e busca outro tipo de coisas.
Estava eu em Resende, na Feira Literária de lá que é grande e maravilhosa quando recebi um casal de cinquentões bem vestidos e elegantes. O casal olhou para minha cara, olhou os livros expostos e me perguntou:
_ Quanto custa a toalha?
Eu tentei argumentar, dizer que éramos uma liga de escritores de Juiz de Fora e que estávamos ali para mostrar e vender livros, mas o corpulento senhor insistiu que queria comprar a toalha da mesa do estande. Difícil!
Em outra feira, entrou um pai com dois filhos no nosso estande, cheio de livros de história infantil e, quando a criança maior se interessou por um livro, o pai perguntou:
_ Vai querer o livro, ou o sorvete?
Aquele pai poderia comprar as duas coisas e incentivar os filhos a ler. Bobagem! Se os pais não leem, como podem querem que os filhos leiam alguma coisa?
Enfim, uma feira literária é para trabalhar. Quem vai montar um estande em uma Feira, Bienal etc, não pode se dar ao luxo de só ir para passear.
Na FLITI, fomos em seis membros da LEIAJF e o trabalho foi exaustivo. Ficamos por conta do nosso estande e de gerenciar o tempo. Almoçar, quando desse, passear por Tiradentes, quando e se fosse possível. Afastar-se do estande, nunca sem ter alguém para cobrir aquele horário.
Quando resolvemos que era hora de sair do bar e ir dormir para poder pegar pesado no dia seguinte, a bela garçonete, me disse que a gerente do estabelecimento – que também era linda – queria me emprestar uma taça para que eu tomasse meu vinho no quarto da pousada.
Cheguei à pousada – ótima, por sinal – e não tomei o vinho porque estava cansado e com sono.
Hoje, no entanto, estou tomando meu Cabernet Sauvignon, no silêncio do quarto da pousada e, amanhã, vou entregar a taça antes de voltar para Juiz de Fora.
Adoro Tiradentes também por isso!

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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