MORRENO SAUDAVE – TEXTO EM MINERÊS – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

MORRENO SAUDAVE – TEXTO EM MINERÊS

“Ô, Cumpade Zé do Caixote. Tá tudo bão?
Eu fui no médico trudia. El me preguntô se eu tenho toroide. Eu respundi: Mas eu num tenho tiroide não, dotô!
Até fiz, tru dia, mograma completu e nem num deu nada. Graçadeus! Né, mermo! Só tem mermo o açúca e as gurdura do sangue arto, mas chá resorve tudinho.
Eu té faço inzame de sangue tod’ano. É sempre a merma coisa. O dotô do coração vê no mograma que o colesterol, a tar gurdura do sangue, tá meio arta e a pressão tumbém aí el passa uma caixa de uns remédio pr’umas coisa, uns remédio pras otra. No finar, é tanto remedio, tanta piula, que eu tomo uma por dia e dá pro ano tudinho. Craro que eu só tomo um cuspimidro por dia pra num tê os tar efeito colesterol e pra num cabá tudo rápido, né mermo?
Da úrtima veiz que eu fui nele, el preguntô se os remédio cabô. Quand’eu falei que tinha já mais de treis semana, el brigô cumigo e disse que tinha de passá mais.
Eu falei pr’ele: mas num passa aquele di mijá não!
E eu inda tive di ixplicá pra ele que esse troço faz a gente mijá muito. Quando el passô eu só tomei de noite. El disse qu’eu era louco, que divia di mijá a noite toda. Eu preguntei pr’ele se el achava qu’eu tinha tempo di mijá de dia. El num gostô da resposta não. Me xingô de novo.
No finar da consurta, a gente até riu bastante. El disse qu’eu co’aquela pressão arta vô morrê quarqué dia. Eu disse pr’ele qu’ele tumbém vai proque nois tudo morre mermo um dia, mermo um sujeito saudave que nem eu. Tenho essa pressão arta aí, mas eu sei quand’ela sobe, a mardita, aí chá de chuchu resorve tudo. Resorve até o tar de Diabete, o açúca no sangue. O dotô qué qu’eu faça a tar da dieta. Falô que num pode cumê açúca nem pão nem macarrão. Vô cumê o quê? Faço dieta coisa nenhuma.
Afinar, se sô duente eu num querdito, eu sei qu’eu tenho uma saúde de ferro. Vô morrê facim não.
E ocê, Cumpade? Tá mermo bão, ou tumbém tá morreno saudave?

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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