PARAFRASEANDO BANDEIRA – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

PARAFRASEANDO BANDEIRA

Poema de beco
Manuel Bandeira

“Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
-O que vejo é o beco.”

Quando Bandeira olhou o BECO
Ele não viu nada!
Não viu a dona Maria
Ansiosa por uma conversinha
Uma fofoca talvez
Queria até mesmo falar do poeta
Sujeito esquisito
Não viu as criancas
Correndo para escola
Ou atrás de uma bola surrada
Não viu os homens e mulheres
Passando apressados para o trabalho
Não viu os passarinhos
Um bando de coisinhas amarelas, marrons e pretas
Bicando sem cessar
As pedras no caminho
Até porque
Quem viu pedra no caminho
Foi outro poeta
Ele não viu lagartixas sorrateiras
Aranhas espreitando suas vítimas
Insetos de cores mil
Bailando ao vento naquela hora
O sol sorrindo no céu
Iluminando e aquecendo o BECO
Ele não viu o BECO
Porque naquele momento
Ao ver os arranha-céus
Que compunham a paisagem
Ou mesmo a Glória e a linha do horizonte
A sua angústia e solidão
Cegaram seus olhos para o BECO
Aquele momento doído
Não permitiram ao poeta
Alçar voos
E voar
Mesmo que fosse
No BECO.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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