DIÁRIO DO CONFINAMENTO – ROCK IN RIO 2022 – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

DIÁRIO DO CONFINAMENTO – ROCK IN RIO 2022

No dia 17 de março de 2020 recebemos a ordem: FICA EM CASA! A pandemia estava instalada no mundo e eu deveria me trancar em casa.
Imaginei que seria o verdadeiro caos. Eu, hiper hiper hiper-ativo, aula na faculdade, no hospital, academia de musculação, andar na rua, supermercado… Ai! Será que eu sobreviveria?
No início, comecei a escrever mais que todo dia, a estudar mais, a pintar mais e fazer um monte de coisas – em casa!
Passou a ser bom. Minha preocupação era somente uma: eu estava confinado em casa, mas fazendo plantão em um CTI que poderia ter paciente com Covid. “NAO TIRAR A MÁSCARA”, “NÃO FICAR SEM EPI” “CHEGAR EM CASA, TROCAR A ROUPA, BANHO…”.
Com relação à roupa, acho que o ideal seria incinerar o que você vestiu para ir à padaria.
Medo! Medo! Medo!
Que coisa ruim!
Comecei no sexto dia a escrever “O DIÁRIO DO CONFINAMENTO”. Fazia crônicas sobre o que estava acontecendo e como eu estava me sentindo. Confesso que houve dias em que eu estava apavorado. Estava realmente com medo de ser um transmissor e trazer para minha família o vírus maldito. No total, trinta crônicas escritas em 123 dias de pandemia, viraram um livro com o mesmo nome.

Meu medo maior sempre é o de estar vivo, morrendo de uma grande doença. Não tenho medo de morrer, mas NÃO QUERO JAMAIS estar ligado a máquinas que manterão uma carcaça humana sem vida por dias infindáveis. Quando eu tiver uma doença sem solução, NÃO INVISTAM! NÃO INSISTAM!
Eu estava vendo mortes por todos os lados, mortes em todas as áreas. Como morreram médicos! Enfermeiros! Fisioterapeutas! Gente! Como morreu gente em todos os níveis, profissões, raças…
A gente viveu e dormiu e sonhou e teve pesadelo com o vírus.
Cheguei a brigar com pessoas que não estavam acreditando e/ou não usando máscaras.
Passou! Será?
Perdemos muitos amigos – alguns amigos de infância -, perdemos vizinhos, conhecidos, pacientes, perdemos parentes. Perdi vários parentes e depois de lançado meu livro, perdi minha irmã.
O marco está cravado: Será assim em todo ano com final 20?
Loucura!
Agora estou vendo Rock in Rio 2022 e um mundo de gente está ali vivendo novamente. Valeu a pena a nossa briga pela sobrevivência. Que bom! Estamos vivos! Muitos cheios de sequelas…
Meu conselho: Aproveite agora! Viva a vida! Se cuide para viver bem! Aproveite tudo que puder porque um dia, ela acaba.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

3 comentáriosDeixe um comentário

  • Achei o texto muito bom, verdadeiro. Só um médico consciencioso poderia escrever assim ou alguém que perdeu um ente querido. Só os ignorantes podem falar que é uma gripezinha que vai passar.

  • Realmente, vivenciamos dias terríveis. Morte em fila indiana. A situação agora amenizada, sentimos o quanto foi e é difícil encararmos a morte. Penso igual a você. Vida porque te quero…enquanto puder viver e não apenas sobreviver.
    Importante reflexão!

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