EXPOSIÇÃO DE PINTURA – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

EXPOSIÇÃO DE PINTURA

Eu comecei a pintar muito jovem. Aos dez anos de idade já fazia decoração de aniversário com personagens de histórias em quadrinhos em isopor e guache. Comecei como qualquer criança fazendo coisas não tão bem feitas, mas depois fui melhorando. Até que resolvi pintar um quadro no isopor também. Pintei um, outro e não tinha mais jeito, tinha que passar para tela. Minha mãe procurou e me matriculou na escola de pintura da Cidinha Dutra – a maior pintora de Conselheiro Lafaiete na época. Comecei a frequentar as aulas e era um mundo novo para mim: tinta a óleo em tubo da marca Águia e o diluente era óleo de linhaça. Para usar a mesma tinta e pintar tecido, o diluente deveria ser gasolina ou querosene. Isso eu não experimentei. Pintei um quadro e achei lindo.

O segundo mais bonito ainda. Claro que em ambos, a professora que era um doce de pessoa, retomou alguns erros e falhas, orientou e ajudou bastante. No terceiro quadro, eu resolvi já abusar. Não sei porquê. Eu querendo abusar e crescer em qualquer coisa que eu faça… Resolvi pintar um retrato de Sagrado Coração de Jesus. Linda a estampa tirada da folhinha com o mesmo nome e que minha mãe fazia questão de ter todo ano. O quadro deu muito mais trabalho, mas sempre com a préstimos ajuda da professora, ficou MARAGNÍFICO. Ótimo! Parti então para outra tela com um motivo japonês: um pagode à frente de um campo coberto de neve e alguma vegetação. Foi uma lástima. Eu sempre querendo fazer o trabalho depressa e a tinta não secava e a neve que deveria ser branca estava azul escuro e marrom tudo misturado e foi trabalho dobrado conseguir terminá-lo.
Nesse momento, por volta de outubro de 1974, eu agitação em pessoa, andando de skate na varanda de casa, caí e quebrei meu braço esquerdo. Minha irmã estava ao meu lado com oito anos de idade. Pedi a ela que sumisse com o skate e ela, assustadíssima, obedeceu. Nunca mais eu vi o meu skate.
Resultado: gesso, imobilização e ficou impossível ir à aula de pintura carregando tela, caixa de madeira – caixa linda que meu pai mandou fazer para mim e que é a mesma que uso até hoje -, pegando ônibus e mais um monte de outras dificuldades. Parei com as aulas e depois de dois meses, quando enfim fiquei livre do gesso, ainda tive de fazer fisioterapia para compensar a hipotrofia do braço.
Não voltei mais as aulas, sinto bastante, mas a vida financeira da minha família não era das melhores e era necessário fazer algum tipo de economia. Não voltei às aulas, mas não parei de pintar. Pintava tudo. Se não tinha uma tela, pintava taco – de piso mesmo -, pintava telha, pintava tijolo, vidro, enfim, o negócio era por tinta em algum lugar. Houve uma fase que resolvi fazer minhas telas com “americano cru”, Alvaiade e cola branca – terrível.
Uma fase legal foi quando resolvi pintar os membros da minha família. Os mortos seriam pintados em preto e branco e os vivos coloridos. Pintei a vó Celia – meu melhor rosto. Pintei o tio Eli, o tio Cid, todos em preto e branco. Fiz um autorretrato que eu achei lindo e minha mãe odiou pq eu estava despenteado e com barba por fazer. Pintei uma foto da minha mãe e ela detestou muito mais. Pintei a minha sobrinha Flávia nenê e, devido às críticas, parei de pintar gente.
Tinta sempre foi uma coisa que me dá prazer. Fiquei bastante triste quando em 1998 tive de passar a pintar com tinta acrílica devido à alergia a tinta a óleo. Em pouco tempo estava acostumado à nova tinta e continuo pintando muito.
Participei de duas coletivas em Conselheiro Lafaiete quando ainda estava na faculdade e em Juiz de Fora participei mais algumas. Depois fiz algumas exposições individuais, na Sociedade de Medicina e Cirurgia, foram quatro, participei ainda de um grande evento de arte no Espaço Cultural Bernardo Mascarenhas e outra coletiva no Bar do Abud onde cada pintor deveria apresentar dois trabalhos retratando bares antigos da cidade. Fiz dois quadros de bares que frequentei muito tempo e que já não existem mais.
Dois anos de pandemia e nada se faz. Agora que o mundo começa a respirar, fui aprovado em uma seletiva para expor no Fórum da Cultura em Juiz de Fora. O lugar é lindo e retomar às exposições me trará, com certeza, vontade de pintar novamente com a mesma voracidade de antes. Tomara!
Quem quiser conhecer a minha atual forma de pintar, convido a visitar a exposição que será aberta no dia 23 de agosto às 19:00.
Arte é vida e eu não vivo sem arte.

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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