MEDICAMENTOS – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

MEDICAMENTOS

O despertador tocou!
Imediatamente,
Minha mão pegou
A pílula de acordar e me fez engoli-la.
Em segundos abri os olhos.
Respirei fundo
E tomei o xarope de levantar.
Na água do chuveiro,
Uma dose extra de coragem
E adrenalina.
Com o café da manhã,
Cinco outras pílulas coloridas:
Andar,
Trabalhar,
Trabalhar,
Trabalhar
E ficar feliz com isso.
Ficar feliz com tudo isso,
Uma dose extra de estimulante,
Calmante,
Relaxante
E antidepressivo.
O remédio, na hora do almoço
Era mais uma pílula de coragem,
Uma tarde inteira pela frente:
Um café,
Outro café,
Mais um café
E duas cápsulas de cafeína extra
Pra poder chegar ao fim do expediente sem ficar louco,
Sem matar alguém,
Sem morrer por isso.
Como ir pra casa
Sem um comprimido de dor?
Tudo dói!
Um tônico de visão noturna,
Entremeado à cerveja,
Uma vodka,
Uma dragea de bom humor
Para aguentar qualquer papo,
Uma injeção de ânimo
Para passar pelo tédio,
Uma dose de laxante,
Uma dose de constipante,
Um bom tempo na frente da TV:
Colirio para entender o que se vê,
Ansiolitico para o que se entende,
Calmante para o que não se concorda…
Enfim,
Um bom sonífero para terminar o dia.
Ah! E um último remédio:
Algumas drágeas coloridas
Para conseguir esquecer tudo isso!

               

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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