O AMOR É LINDO! – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

O AMOR É LINDO!

Amar! Sentimento lindo e muito difícil.
Difícil essa divisão de um para realizar a união de dois. Difícil se entregar e em algumas horas se anular em prol do outro.
A união de dois seres que passam a morar no mesmo teto em nome do amor, tende a ficar abalada e acabar quanto maior for o sufocamento causado pela presença de um acima do outro.
Há casamentos que duraram quase um século – alguns lembram. Há casamentos que não duraram um mês.
Os casamentos de nossos pais e avós realmente eram para sempre. Não importava o quanto ambos eram infelizes. Não importava a anulação da esposa em relação ao domínio machista do marido. Ele era dono da esposa e não se importava que a parideira fosse a mais triste das mulheres, ela tinha uma casa, roupa e comida. Tinha que se submeter a um sexo por obrigação, muitas vezes violento, muitas vezes sem tesão… À mulher não era dado o direito de reclamar e se por qualquer motivo o casamento acabasse, era dela a culpa e ela sempre seria mal vista como a “largada do marido” ou até mesmo denominações piores, mesmo que ela não tivesse feito nada.
O tempo passa e as coisas mudam, mas o amor continua. Continua infernizando a vida de muita gente. Fosse só desejo e tesão nessa vida e muita coisa estaria resolvida.
Hoje os casais se entendem. Será? Hoje a maioria das mulheres sabem o seu direito e seu lugar na relação a dois. Será?
Há ainda muitas relações infelizes onde ambos estão presos por loucura ou tesão se fazendo mal, em uma relação tóxica que traz muito sofrimento. Há ainda muitas mulheres submissas, muitas mulheres machistas que permitem ser totalmente dominadas, pisoteadas, sacaneadas e até mesmo mortas em nome desse amor.
O mundo cresceu e existe maior liberdade. Será? Hoje há casamentos entre pessoas do mesmo sexo. E é uma relação totalmente boa? É uma relação sem neuras e sem dominação? Não! O mesmo dilema enfrentam também os casais constituídos por dois homens ou por duas mulheres. Há ciúme! Há desconfiança! Há dominação e submissão. Há inícios maviosos e finais tenebrosos. Tudo isso em nome do amor? Acredito que não. Tudo isso acontece pelo egoísmo. Acontece pela crença que a um pode tudo, ao outro resta agradecer o fato de ter aquele marido, aquele parceiro.
Há um livro publicado em 2006 “NÃO SOU FELIZ – MAS TENHO MARIDO” de Viviane Gómez Thorpe em que a personagem se questiona porque o casamento terrível durou tanto tempo – 27 anos, na história -, que pode servir de exemplo.
O amor! Ah! O amor!
Cantado em versos de mil poetas e cantores, mola que impulsiona o mundo, que mantém a paz, que nos dá alegria, é muitas vezes o motivo de ruínas e mortes. Pode ser a razão maior da infelicidade de muita gente.
Amor é, enfim, o que causa a união de dois seres apaixonados. É o que faz muita gente cometer loucuras. É uma delícia fazer uma loucura de amor. Porém, se não tiver um pouco de razão e pé no chão, esse sentimento intenso, destrói implacavelmente.
Amem! Amem todos vocês! Amem indiscriminadamente, mas jamais percam o amor próprio e busquem sempre a preservação de sua integridade. Somente aquele que sabe se amar tem capacidade de amar outra pessoa sem sofrer.
Mas o amor é lindo!

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quase quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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