REMEDINHOS – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

REMEDINHOS

Atualmente, eu tomo três remedinhos branquinhos pela manhã, um vermelhinho, um laranjadinho e mais dois branquinhos depois do almoço, fico esperando a hora certa para tomar um cor-de-rosa, mais tarde um azul claro – não é o azulzinho famoso -, um violeta e por fim aquele verdinho para dormir em paz.
O tempo passa e nosso corpo se deteriora. Vai dando defeitos como nosso carro ou nossos eletrodomésticos. Para eles, a troca de peças é possível e pode nos dar o funcionamento da peça por mais algum tempo. Nunca para sempre!
Não viveremos para sempre!
Você vive, você cresce, você amadurece e vai caminhar para o fim. Você vai morrer. Não tem como ser diferente. Tomara que você acredite em alguma coisa muito boa para te dar paz ao pensar na sua morte. Tomara que você tenha feito tudo que quis antes de morrer. Tomara que tenha amado muito, amado muita gente, amado demais. Tomara que tenha tido muito prazer sentimental, sexual, animal e irracional.
Você está aqui para ser feliz! O que é ser feliz? Quem sabe?
Acredito que a felicidade é relativa e cada um a tenha como bem entender. Você pode ser feliz por dormir muito, por trabalhar muito – alguns são felizes em só trabalhar -, por não fazer nada. Você pode ser feliz por comer demais e também por não comer quase nada. Você pode ser feliz com alguém – com muitos “alguéns” – e pode ser feliz sozinho.
Importante é você se sentir bem do jeito que é. Gostar do que faz e viver intensamente.
Os remédios vão chegando e isso não te impede de ser feliz. A velhice do corpo vai limitar as suas ações, mas não a sua cabeça enquanto houver lucidez. A vida é linda e é para ser vivida com garra, com força e com sabedoria.
Vou parar por aqui porque está na hora de tomar o remedinho marronzinho para dor de cabeça.
Seja feliz!

            

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

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