ROMANTISMO – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

ROMANTISMO

Às vezes, romantismo demais atrapalha.
Não quero ser esquartejado por afirmar isso, mas há momentos em que a demonstração de amor, de carinho, não pode ser exagerada e, principalmente, cheia de firulas e atitudes teatrais.
Amar é fundamental! A gente tem que amar indiscriminadamente a todos. O amor entre duas pessoas é diferente e intenso. Não há essa necessidade de teatro, caras e bocas e principalmente, demonstrações falsas de afeto e carinho. Falsas porque só existem em público. Falsas porque não são duradouras e tendem a finitude.
Quando digo que romantismo demais atrapalha, não quero que as pessoas entendam e passem a se agredir em nome do AMOR. Não é isso! Mas o respeito ao parceiro (a) é romantismo. A atenção é romantismo. Educação, gentileza, participação nas atividades do outro, convivência com amigos, parentes – aqueles parentes com quem é possível conviver -, divisão de ideias e objetivos é romantismo.
Dê flores, dê presentes! Esteja presente, é o mais importante. Ouça música junto. Comente uma série ou um filme que viram juntos. Lembre-se daquele momento especial quando aconteceu algo que marcou a vida dos dois. Faça acontecer!
Sou contra a um romantismo de fachada, feito para dizer que “pensem que é assim”, quando é o oposto na intimidade.
Acho enfim, que amor é um total desprendimento de si em prol da pessoa amada sem se deixar perder a individualidade.
Esse ponto é outro superimportante: ninguém pode se anular porque ama alguém. As pessoas se amam pelo que elas são e se o seu modo de ser e agir não agrada a quem o ama, não permaneça nessa relação doentia que poderá anular o que você é de verdade. Ninguém é de ninguém e ninguém tem que ser como o outro queria que fosse. A gente ama porque a pessoa é diferente e tem coisas que gostamos.
Depois disso tudo que eu disse: Eu sou romântico! Gosto do romantismo e de dizer que amo.
Mas continuo afirmando: romantismo demais atrapalha!

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

1 comentárioDeixe um comentário

  • Olá, Artur!
    Concordo com você quando diz que o romantismo não está em mostrar para os outros atitudes que não são verdadeiras na intimidade. O fato de receber uma mensagem pela manhã através do celular já é, para mim, uma forma de expressão romântica, pois ao enviar uma mensagem é preciso que o remetente esteja pensando no ser amado, o que se vai dizer ou o que se vai compartilhar exige não só uma intenção, mas também uma escolha e, normalmente, fazemos escolhas de acordo com os nossos sentimentos. O romantismo está, para mim, nas mínimas atitudes e não nas atitudes extravagantes que se findam quase que no mesmo instante em que se concretizam. São eternas as ações que ficam registradas em nossa memória afetiva e que se tornam concretas através de um cheiro, de um gosto, de uma cena… vivas e eternamente cravadas em nosso coração.

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