UMA VOLTA ATRIBULADA – Pão de Canela e Prosa
Pão de Canela e Prosa

UMA VOLTA ATRIBULADA

Saímos do hotel RIO BRANCO APART HOTEL, em Florianópolis – muito bom, que nos atendeu acima das expectativas -, às 7:50 sentido Aeroporto: O avião da Empresa Aérea LATAM partiria às 9:45. Estávamos esperançosos para chegar cedo a Juiz de Fora depois de cinco dias na capital de Santa Catarina.
Não tivemos problemas com check-in e despacho de bagagens, mas o avião saiu do solo às 10:35. O piloto ganhou a corrida dele mesmo e ao invés de chegar às 11:15 no aeroporto de Guarulhos, se tivesse saído sem atrasos, chegou às 11:35. Muito bom! Vamos então fazer check-in para a segunda etapa da viagem: Guarulhos – Galeão, no Rio de Janeiro. Ótimo! Embarque no portão 256. Tivemos tempo de comer alguma coisa. Tomamos um café. Impressionante como tudo em aeroportos custa três vezes mais que o normal. Esperamos algum tempo e informaram que o embarque mudou para o portão 250. Todos os passageiros de uma “aeronave lotada” mudamos de “gate”. Esperamos e alguns reclamaram, reclamamos e alguns se desesperaram até um novo aviso que o portão mudou novamente para o 255. Já nos postamos em filas por categoria e, nem imaginávamos o pior: alguém informou que o voo fora cancelado. “Mas como?” Alguns perguntaram. “Por que?” Era a tônica de todos. “Como fazer com conexões?” “Compromissos?” “Vida que segue, independente da Empresa Aérea?”
Nenhuma resposta, ninguém sabia, ninguém informava… *FILHO FEIO NÃO TEM PAI* já diz o ditado popular.
Fomos orientados a pegar nossa bagagem e nos dirigimos ao balcão da LATAM para uma orientação e provável remarcação de voo.
Depois de quase hora e meia para recuperar a bagagem, outra fila para remarcar a viagem que seria às 13:15 e que o “sistema” remarcou para 21:45. O sistema é culpado, hoje em dia, por tudo que dá errado. Mas quem é o Sistema mesmo?
Compromissos? Bobagem! Havia quem estivesse preparado para consultas e exames médicos no Rio. Havia uma família inteira vindo de Toronto no Canadá, avós, filhos e netos com necessidades de chegar em casa. Havia quem dependesse da conexão que perderia para ir para outro país da América do Sul. Mas o Sistema não sabe disso.
Esperamos e esperamos.
Comemos um prato de massa no SPOLLETTO – muito bom – e esperamos.
Fizemos novo check-in e despachamos novamente nossa bagagem.
Minha esposa com problemas osteomusculares e dor intensa, eu com problemas ósseos e dor intensa, sentamos-nos em algumas cadeiras desconfortáveis. Utilizando a internet, através do WhatsApp, mantivemos família e amigos informados sobre o que estava acontecendo. Alguns amigos e alunos me disseram: “Você vai chegar em Juiz de Fora morto!” A minha maior vontade era chegar a Juiz de Fora vivo! Será que esses voos da LATAM cancelados – depois eu soube que não foi somente o meu, mas tem acontecido com frequência – não é falta de manutenção das aeronaves? Desisti de pensar no pior.
Como nos foi informado no segundo Check-in, quatro restaurantes ou lanchonetes teriam um lanche a nos entregar, oferta da empresa pelo transtorno. Certo? Errado. Nenhum dos estabelecimentos sabia a respeito disso. Uma garçonete até riu e disse: “Nossa! Mais um processo contra a Companhia Aérea”. Eu ri também.
Enfim, a noite chegou, nosso desconforto e dores chegaram em um limite próximo ao insuportável, mas estava na hora de entrar no avião e sair de lá às 21:45. Certo? Claro que não! Bobagem! Ficamos dentro da aeronave lotada, ligada com mil barulhos esquisitos e somente às 22:25 saímos do solo paulista em direção ao Aeroporto Tom Jobim, antigo Galeão.
Voo tranquilo. Assim como na ida, no nosso voo direto Rio-Florianópolis, como nas duas etapas da volta, foi-nos servido água mineral, um pouco mais de meio copo e, ou um coockie Balduco ou um pacotinho com 10 gramas de batata tipo chipes com sete batatinhas dentro de cada pacote.
Chegamos ao Aeroporto no Rio. O motorista que contratei para me pegar ali às 14:00 estava a postos, coitado e foi mais um atingido indiretamente pela empresa aérea. Todos os passageiros daquele avião estávamos aliviados de chegar ao fim da atribulada e desrespeitosa viagem de volta.
Eu deveria chegar em casa, em Juiz de Fora às 17:00, cheguei às 2:40 da manhã. Isso mudou a minha terça-feira e a de muita gente. Isso vai ficar marcado na vida de muita gente.
Não pretendo processar a LATAM ou fazer qualquer outra coisa que não seja esse relato. Mas outras viagens virão. Tenho livros para lançar e divulgar no Brasil todo e, com certeza, vou escolher bem a Companhia Aérea da próxima viagem.

               

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Artur Laizo Escritor

Artur Laizo nasceu em 1960, em Conselheiro Lafaiete – MG, vive em Juiz de Fora há quatro décadas, onde também é médico cirurgião e professor. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, Sociedade Brasileira de Poetas Aldravistas e presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora - LEIAJF.

3 comentáriosDeixe um comentário

  • Artur, isso tem acontecido com frequência e não só com a Latam. Está virando rotina, seja lá a companhia que você escolha. Um desrespeito com os usuários!.
    Muito boa sua crônica!

  • Bom, no meu entendimento, se você não processa, quem está processando acaba sendo prejudicado também, pois 1 processo é diferente de 10. Deixa de ser 1 indivíduo reclamao e tornam-se 10 consumidores que foram lesados. Só para ilustrar o exemplo…

    O importante, no entanto, é chegar vivo. Quanto a viajar para promover livros, Em tempos de Amazon e ebooks, não sei até onde isso é realmente necessário. Mas é mera observação.

    O Brasil não é um país que leva a sério a vida das pessoas. Isso em todos os aspectos. Portanto, cuide-se. Seus pais pacientes e sua família precisam de você.

  • Dr. Artur, aconteceu a mesma coisa comigo dia 28 agora.. atrasos e remarcações de voos.. primeira e única vez que viajo com a Latam. Na minha opinião, a Azul é a melhor de todas, principalmente no lanchinho do avião! A gol é boa também, porém ainda prefiro a Azul. Mas tenho que reclamar de Guarulhos também, tive problema lá na conexão com troca de portão e atraso em vôo.. pelo jeito não foi má sorte como estava imaginando.

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